FLORESCIMENTO INDUZIDO DA JUREMA PRETA PARA FORNECER PÓLEN À ABELHA MELÍFERA NA ESTIAGEM DA CAATINGA

Autores

  • Aline dos Santos Silva Universidade Federal do Ceará
  • Nayanny de Sousa Fernandes Departamento de Pós graduação em zootecnia na Universidade Federal do Ceará, na área de Produção animal e linha de pesquisa Abelhas e Polinização
  • Arianne Moreira Cavalcante Departamento de Pós graduação em zootecnia na Universidade Federal do Ceará, na área de Produção animal e linha de pesquisa Abelhas e Polinização
  • Afonso Odério Nogueira Lima Instituto Centro de Ensino Tecnológico – Centec, Rua Silva Jardim, 515 – José Bonifácio, CEP 60.040-260, Fortaleza (CE), Brasil
  • Breno Magalhães Freitas Departamento de Pós graduação em zootecnia na Universidade Federal do Ceará, na área de Produção animal e linha de pesquisa Abelhas e Polinização

Palavras-chave:

Apis mellifera. Flora apícola. Mimosa tenuiflora. Oferta de alimento.

Resumo

O estudo objetivou investigar a possibilidade de aumentar a oferta de pólen para abelhas melíferas (Apis mellifera) no período de estiagem na caatinga pela indução do florescimento da jurema preta (Mimosa tenuiflora). O trabalho foi realizado no Apiário Altamira Apícola, em Limoeiro do Norte (CE), no período de agosto a dezembro de 2012. O experimento constou de três fases: Fase 1 – a quantidade de água necessária para induzir o florescimento da jurema preta (T0L, T250L, T500L, T750L e T1000L); Fase 2 – biologia e visitantes florais; e Fase 3 – coleta de pólen pelas colônias e participação do pólen de jurema preta na dieta das abelhas, por meio de amostragem e comparação das cargas polínicas coletadas de colônias situadas a 20m ou a mais de 3km das plantas induzidas. Os resultados da Fase 1 mostraram que os tratamentos 3, 4 e 5 apresentaram florescimento com maior quantidade de inflorescências (p<0,05) no T1000L. O pico de florescimento ocorreu oito dias após a indução. Na Fase 2, os Hymenoptera representaram mais de 95% dos visitantes florais, sendo Apis mellifera, Trigona spinipes e Melipona subnitida as espécies mais frequentes. As análises palinológicas da Fase 3 mostraram que houve aumento significativo (p<0,05) na coleta e na participação do pólen de jurema preta na dieta das colônias situadas a 20 metros das plantas induzidas. A indução do florescimento de Mimosa tenuiflora aumentou a oferta e coleta de pólen pelas abelhas no período crítico do ano, minimizando o efeito da estiagem sobre as colônias.

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Biografia do Autor

Aline dos Santos Silva, Universidade Federal do Ceará

Departamento de Pós graduação em zootecnia na Universidade Federal do Ceará, na área de Produção animal e linha de pesquisa Abelhas e Polinização

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Publicado

20-05-2015

Edição

Seção

Zootecnia