TOLERÂNCIA AO DÉFICIT HÍDRICO EM HÍBRIDOS INTERVARIETAIS DE MILHO

Palavras-chave: Déficit hídrico. GGE Biplot. Interação genótipos x ambientes.

Resumo

Na época do plantio de milho safrinha ocorre maior instabilidade climática, com maior probabilidade de ocorrência de períodos de déficit hídrico. Este é um dos fatores que mais causa redução na produtividade de grãos de milho. O objetivo deste trabalho foi identificar genótipos de milho tolerantes ao déficit hídrico, estáveis e responsivos à irrigação. Avaliaram-se 26 híbridos intervarietais convencionais de milho, em experimentos realizados em Mococa/SP e Tatuí/SP, no Instituto Agronômico. Em cada local foram conduzidos dois ensaios, um sob condições de irrigação e outro sob estresse hídrico, em delineamento experimental de blocos casualizados com 3 repetições. Foram avaliados: florescimentos masculino e feminino, alturas da planta e de espiga, peso hectolítrico, peso de cem grãos e produtividade de grãos. Foi realizada análise de variância conjunta e a estabilidade foi analisada pelo GGEBiplot. Observaram-se efeitos de genótipos e local significativos para todas as características e efeitos significativos da interação genótipos x locais, exceto para altura de espiga e florescimento masculino. Já o efeito de condições hídricas foi significativo para a maioria dos caracteres, fato essencial para a viabilidade do trabalho. As características mais afetadas pelo déficit hídrico foram florescimento masculino, altura de plantas e de espigas e a produtividade de grãos. Os híbridos F2 BM709 x PopTol 2, IAC 46 x PopTol 2, F2 30K75 x PopTol 3 e F2 BM709 x PopTol 3 são considerados ideótipos por apresentarem elevada produtividade, plasticidade fenotípica e tolerância à seca, podendo ser indicados para programas de melhoramento genético visando tolerância à seca.

 

Referências

AHMADIKHAH, A.; MARUFINIA, A. Effect of reduced plant height on drought tolerance in rice, 3. Biotech, 6: 1–9, 2016.

ANJUM, S. A. et al. Drought induced changes in growth, osmolyte accumulation and antioxidant metabolism of three maize hybrids. Frontiers in Plant Science, 8: 1-12, 2017.

BERNARDO, R. Breeding for quantitative traits in plants. 2. ed., Woodbury, Minn: Stemma Press, 2010. 400p.

CECCARELLI, S. Adaptation to low or high input cultivation. Euphytica, 92: 203-214, 1996.

DERERA, J.; TONGOONA, P.; VIVEK, B. S. Gene action controlling grain yield and secondary traits in southern African maize hybrids under drought and non-drought environments. Euphytica, 162: 411–422, 2008.

DURAES, F. O. M. et al. Fenotipagem associada à tolerância a seca em milho para uso em melhoramento, estudos genômicos e seleção assistida por marcadores. Sete Lagoas, MG: EMBRAPA, 2004, 17 p.

EDMEADES, G. O. Progress in achieving and delivering drought tolerance in maize - An Update. Ithaca, NY: ISAAA, 2013, 44 p.

FRUTOS, E.; GALINDO, M. P.; LEIVA, V. An interactive biplot implementation in R for modeling genotype-by-environment interaction. Stochastic Environmental Research and Risk Assessment, 28: 1629–1641, 2014.

GUIMARÃES, P. D. S. et al. Characterizing corn hybrids (Zea mays L.) for water shortage by principal components analysis. Maydica, 59: 72–79, 2014.

KARIMIZADEH, R. et al. GGE biplot analysis of yield stability in multi-environment trials of lentil genotypes under rainfed condition. Notulae Scientia Biologicae. 5:256-262, 2013

MADABULA, F. P. et al. Rice genotypes for drought tolerance: morphological and transcriptional evaluation of auxin-related genes. Bragantia, 75: 428- 434, 2016.

MELO, A. V. et al. Desempenho agronômico de genótipos de milho submetidos ao déficit hídrico no sul do estado do tocantins. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, 17: 177-189, 2018.

MORENO, A.; LUMBRERAS, V.; PAGES, M. Drought tolerance in maize. Maydica, 50: 549-558, 2005.

PIAS, O. H. C. et al. Componentes de rendimento e produtividade de híbridos de milho em função de doses de NPK e de déficit hídrico em estádios fenológicos críticos. Revista de Ciências Agroveterinárias, 16: 422-432, 2017.

RIBAUT, J. M.et al. Drought tolerance in maize. In: BENNETZEN, J.L.; HAKE, S.C. (Eds.). Handbook of Maize: Its Biology. Nova York, NY. 2009, p. 311–314.

SCOTT, A. J.; KNOTT, M. A cluster analysis method for grouping means in the analysis of variance. Biometrics, 30: 507-512, 1974.

SCHLICHTING, A. F. et al. Desenvolvimento do milho submetido a doses de nitrogênio e tensões de água no solo. Irriga, 19: 598-611, 2014

SSERUMAGA, J. P. et al. Grain-yield stability among tropical maize hybrids derived from doubled-haploid inbred lines under random drought stress and optimum moisture conditions. Crop and Pasture Science, 69: 691–702, 2018.

TARDIEU, F.; SIMONNEAU, T.; MULLER, B. The physiological basis of drought tolerance in crop plants: a scenario-dependent probabilistic approach. Annual review of plant biology, 69: 733-759, 2018.

THORNTHWAITE, C. W. An approach toward a rational classification of climate. New York, NY, 1948, v. 38, n. 1, p. 55-94.

THORNTHWAITE, C. W.; MATHER, J. R. The water balance. Climatology, v. 8, n. 1, p. 104,1955.

TUBEROSA, R. Phenotyping for drought tolerance of crops in the genomics era. Frontiers in Physiology, 3: 1–26, 2012.

YAN, W. et al. Cultivar Evaluation and Mega-Environment Investigation Based on the GGE Biplot. Crop Science, 40: 597-605, 2000.

YAN, W. GGE Biplot vs. AMMI Graphs for Genotype-by-Environment Data Analysis. Journal of the India Society of Agricultural Statistics, 65: 181-193, 2011.

ZIYOMO, C.; BERNARDO, R. Drought tolerance in maize: Indirect selection through secondary traits versus genome wide selection. Crop Science, 53: 1269–1275, 2013.

ZHAO, J. et al. Shoot and root traits in drought tolerant maize (Zea mays L.) hybrids. Journal of Integrative Agriculture, 17: 1093-1105, 2018.

Publicado
2021-03-03
Seção
Agronomia