Isolamento e caracterização bioquímica de uma lectina de folhas de Bauhinia monandra Kurz (Fabaceae) para futuras aplicações

Natan Reinan Batista da Silva

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Francisco Chagas Barbalho Neto

Michele Dalvina Correia da Silva

Palavras-chave: Pata de vaca, hemaglutinação, Hemácia


Resumo

Lectinas são proteínas que se ligam a carboidratos e desempenham papéis em processos biológicos, como no reconhecimento e invasão celular por microrganismos, bem como na defesa vegetal. Este trabalho objetivou a purificação e a caracterização da lectina de folhas de Bauhinia monandra Kurz (Fabaceae), denominada BmoLL, a qual possui potencial terapêutico. Um extrato obtido em tampão citrato-fosfato, pH 6,5 (EB) foi submetido a precipitação proteica com sulfato de amônio. A fração proteica (FP) foi cromatografada em gel guar. BmoLL purificada foi caracterizada por ensaios de atividade hemaglutinante (AH) com diferentes eritrócitos, sob variação de temperatura e pH. As preparações foram submetidas a doseamento de proteínas e AH específica (AHE) foi determinada. A homogeneidade de BmoLL foi analisada por eletroforese. EB, FP e BmoLL apresentaram AH com eritrócitos humanos, com maior afinidade por eritrócitos de coelho. A AH de BmoLL foi estável de 20 a 50 °C (AH: entre 64-1e 128-1) e em pH 4,5 a 6,5 (AH: 2048-1), mas foi reduzida acima de 50 °C ou em pH neutro ou alcalino (AH: 32-1). A AHE aumentou a cada etapa de purificação (AHE de EB, FP e BmoLL: 10,52, 556,5 e 4.995,1, respectivamente). A purificação utilizando o gel de guar confirmou a especificidade de BmoLL por galactose. A eletroforese de BmoLL confirmou a presença de duas bandas polipeptídicas. Conclui-se que o isolamento de BmoLL e a sua caracterização como termoestável a 50 °C foram reproduzidos com eficiência. A redução da AH de BmoLL acima de 50 °C e em pH neutro ou alcalino deve ser considerada ao se explorar seu potencial biotecnológico.