Avaliação da atividade ovicida in vitro do extrato salino das folhas de Ocimum basilicum L. em parasitos gastrointestinais de ovinos

Carlos Emanuel da Silva Lima

UFERSA

Francisco Chagas Barbalho Neto

Michele Dalvina Correia da Silva

Ana Carla Diógenes Suassuna Bezerra

Palavras-chave: Ovinocultura, resistência, Fitoterapia


Resumo

A ovinocultura é explorada no Brasil, sendo a região Nordeste a de maior destaque. Entretanto, esta atividade vem sendo prejudicada pelo agravamento dos parasitos gastrointestinais. As medidas tradicionais, como o uso de medicamentos químicos, têm apresentado ineficácia em razão da resistência química parasitária. Logo, medidas alternativas como a fitoterapia tem se tornado um meio efetivo de controle devido a riqueza de compostos com bioatividade. Portanto, o objetivo desse estudo foi avaliar in vitro a atividade ovicida do extrato salino das folhas de Ocimum basilicum L. em parasitos gastrointestinais de ovinos. Para isso, o material vegetal foi coletado e identificado pelo Herbário Dárdano de Andrade-Lima, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, com exsicata número 16579. As folhas foram secas, trituradas e peneiradas para análise fitoquímica do pó vegetal e posteriormente processado, obtendo-se um extrato salino puro (10%) proporção peso/volume, e diluído nas concentrações 5%, 2,5% e 1,25%. Para os testes in vitro foram utilizadas amostras de ovinos infectados naturalmente e sem tratamento antiparasitário nos últimos 90 dias, com liberação do Comissão Ética no Uso de Animais número 27/2024. Inicialmente, foi realizado a contagem de ovos por grama de fezes com amostras utilizadas apresentando contagem igual ou superior a 2000 ovos. Esses foram recuperação, e posteriormente transferidos para placas de 24 poços onde foram adicionados 100 μl da solução de ovos recuperados e 400μl dos grupos controles ou dos tratamentos nas concentrações definidas. No controle negativo foi utilizado a solução de diluição do extrato (NaCl 0,15M); e no controle positivo o antiparasitário thiabendazole (Sigma), na concentração de 3,2 μg/mL. Quanto aos tratamentos, aos poços foi adicionado o extrato salino nas concentrações 10% (extrato bruto), 5%, 2,5% e 1,25%. Os ensaios in vitro foram conduzidos em cinco repetições independentes. Por fim, foi realizado teste de toxicidade do extrato salino em placas de 24 poços, contendo 100μl da solução de cultivo de Artemia salina e 400μl das concentrações correspondentes do extrato salino (10%, 5%, 2,5%, 1,25%) por poço, repetindo o procedimento quintuplicata. Ao final, a mortalidade das A. salina foi quantificada. Como resultado para a análise qualitativa fitoquímica das folhas indicaram a presença de fenóis, taninos hidrolisáveis, saponinas, núcleos esteroidais e alcaloides. A atividade antiparasitária foi verificada pelo teste de eclosão de ovos, apresentando uma porcentagem de inibição de 99,2%, 94,4%, 82,9% e 16,60% para as concentrações 10%, 5%, 2,5% e 1,25%, respectivamente. Com o controle positivo inibindo 88,1% e o negativo 4,7%. O teste de toxicidade indicou que o extrato ocasionou mortalidade do bioindicador selecionado nas concentrações 10% e 5%, enquanto as concentrações 2,5% e 1,25% apresentam uma toxicidade reduzida. Logo, torna-se necessário estudos in vitro em células animais para validação mais sensível da toxicidade do extrato. Nesse sentido, conclui-se que o extrato salino de O. basilicum L. apresentou potencial antiparasitário contra helmintos gastrointestinais de ovinos.