EFUSÕES DE EQUINOS COM SÍNDROME CÓLICA: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Mateus Gonçalves Bezerra

UFERSA

Marcielle Michelle Moreira Menezes

Paulo Victor de Paiva Diaz

Pedro Henrique da Silva Fidelis

Michelly Fernandes de Macedo

Palavras-chave: Abdômen agudo, coagulopatias, patologia clínica.


Resumo

A síndrome cólica representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade em equinos, configurando-se como um desafio clínico de grande relevância na medicina veterinária equina. O presente estudo teve como objetivo comparar parâmetros físicos, citológicos e bioquímicos do líquido peritoneal e do soro de equinos acometidos por síndrome cólica, distinguindo aqueles que sobreviveram dos que evoluíram a óbito, a fim de identificar marcadores com potencial valor prognóstico. Foram avaliados dez equinos atendidos no Hospital Veterinário Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), independentemente de raça, sexo ou idade. As amostras de líquido peritoneal foram obtidas por abdominocentese, conforme Radcliffe et al. e submetidas a análises física, químicas, citológicas e bioquímicas no Laboratório de Diagnósticos em Patologia Clínica Veterinária (PCVET). Foram mensurados proteína total, glicose e lactato em analisador bioquímico semiautomático (Bioplus 2000), utilizando reagentes comerciais da Bioclin. Os dados foram analisados estatisticamente no SAS (9.3), aplicando-se o teste de Shapiro-Wilk para normalidade, análise de variância (ANOVA) ou Kruskal-Wallis para comparação entre grupos e os testes de correlação de Pearson e Spearman, com nível de significância de 5%. Os resultados demonstraram que, entre as variáveis isoladas, apenas a presença de sangue oculto apresentou diferença significativa entre sobreviventes e óbitos (p=0,028), associando-se fortemente à ruptura vascular e necrose tecidual. Foram observadas correlações relevantes, como a relação negativa entre a contagem total de células nucleadas e a glicose (ρ=-0,61; p<0,05) e entre o lactato e a glicose (ρ=-0,58; p<0,05), indicando maior consumo energético e metabolismo anaeróbio em processos inflamatórios graves. A análise comparativa entre líquido peritoneal e soro evidenciou diferença significativa nas proteínas totais (p<0,05), com valores mais elevados no soro, refletindo aumento da permeabilidade vascular. Verificou-se ainda que a perda do gradiente lactato líquido/soro esteve associada a desfechos desfavoráveis, corroborando o potencial prognóstico do lactato descrito por Tennent-Brown et al. (2010) e Blikslager et al. (2019). A glicose apresentou tendência à redução nos animais que evoluíram a óbito, sem significância estatística, provavelmente devido à heterogeneidade individual e à limitação amostral. Os achados reforçam que a combinação de parâmetros citológicos e bioquímicos, quando interpretada de forma integrada, fornece subsídios clínicos valiosos para o diagnóstico diferencial e o estabelecimento do prognóstico em equinos com cólica. Conclui-se que a presença de sangue oculto e a perda do gradiente lactato líquido/soro configuram-se como marcadores de maior relevância prognóstica, sendo o lactato um indicador sensível de isquemia intestinal e desfechos desfavoráveis. Dessa forma, a análise do líquido peritoneal representa um método acessível, de alta aplicabilidade e importância clínica na avaliação da gravidade da síndrome cólica equina, contribuindo para intervenções mais precisas e redução das taxas de mortalidade.