ACESSO DOS USUÁRIOS À PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO (PREP) EM UMA INSTITUIÇÃO DE REFERÊNCIA ESTADUAL NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO

Eduardo Martiniano de Lima

UFERSA

Jennifer do Vale e Silva

UFERSA

https://orcid.org/0000-0001-9121-1302

Palavras-chave: Profilaxia Pré-Exposição, Acesso aos Serviços de Saúde, Infecções por HIV, Vulnerabilidade em Saúde


Resumo

A Profilaxia de Pré-Exposição (PreP) se apresenta no cenário brasileiro e mundial como uma poderosa ferramenta de prevenção ao HIV (vírus da imunodeficiência humana)/AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida), sendo considerada estratégica e promissora no controle da doença. Trata-se de uma medicação antirretroviral, capaz de reduzir o risco de transmissão do HIV em mais de 99%. Historicamente, em todo o mundo, a epidemia de HIV/AIDS atingiu mais intensamente grupos sociais específicos, de maneira que as mortes, as infecções e o adoecimento afetaram e continuam afetando desproporcionalmente diferentes grupos sociais, o que favoreceu a criação de termos como “grupos de risco” e contribuiu para o arraigamento dos processos de estigmatização e discriminação desses grupos, principalmente LGBTQI+ (Facchini; Pinheiro; Calazans, 2018). No Brasil, a epidemia de HIV/aids é concentrada em algumas populações-chave, que respondem pela maioria dos casos novos da infecção, como gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas transgênero e trabalhadoras(es) do sexo. Além de apresentarem maior risco de adquirir o HIV, essas pessoas frequentemente estão sujeitas a situações de discriminação, sendo alvos de estigma e preconceito, o que aumenta, assim, sua vulnerabilidade ao HIV/aids (Ministério da Saúde, 2022). Nesse sentido, faz-se necessário explorar a realidade dos serviços de saúde e das populações mais vulneráveis à infecção no sentido de entender como se dá o acesso à essa tecnologia preventiva. O objetivo deste trabalho é compreender as principais facilidades e dificuldades de acesso encontradas pelos usuários da PrEP em um Hospital de Referência no Rio Grande do Norte, localizado na 2ª região de saúde do estado, com 14 municípios, com população estimada em 484.000 habitantes (SESAP, 2019). As análises tomaram por base o conceito do acesso, concebido como o conjunto de circunstâncias, de diversas naturezas, que viabiliza a entrada de cada usuário, ou paciente, na rede de serviços, em seus diferentes níveis de complexidade, bem como em suas diversas modalidades de atendimento. O presente estudo é de caráter qualitativo e faz uso de entrevista semiestruturada. A estratégia de busca dos participantes incluiu perfis variados em termos de idade, sexo, orientação sexual, gênero, cor, classe social e religião e que são usuárias da PrEP no referido Hospital. Os mesmos foram recrutados no hospital com intermédio dos profissionais de saúde. A quantidade de participantes foi sujeita ao fechamento amostral por saturação. O material foi analisado pela técnica de análise temática. A pesquisa evidenciou que o acesso à PrEP é influenciado por fatores contextuais e pelas necessidades individuais dos usuários. A oferta contínua da PrEP pelo Hospital de Referência, aliada ao compromisso dos profissionais, favorece a adesão à prevenção. Por outro lado, em muitos relatos, a falta de privacidade na recepção, falhas no acolhimento inicial, restrição no horário de funcionamento do serviço e o estigma associado ao HIV e à PrEP se apresentam como importantes barreiras de acesso. Dessa forma, mapear as experiências de acesso dos usuários mostra-se fundamental para o alcance da efetividade das políticas e estratégias preventivas ao HIV/AIDS.