A INFLUÊNCIA DA GESTÃO E PROPRIEDADE FAMILIAR NA PERFORMANCE ESG

EVIDÊNCIAS NO MERCADO ACIONÁRIO BRASILEIRO

Matheus Juan Silva Ribeiro

Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

https://orcid.org/0009-0007-0871-4955

Yuri Gomes Paiva Azevedo

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

https://orcid.org/0000-0002-0830-0214

Palavras-chave: Empresas Familiares, Desempenho ESG, Governança Corporativa


Resumo

As práticas Environmental, Social and Governance (ESG) têm ganhado cada vez mais visibilidade de gestores, investidores, analistas e da academia, que buscam investigar os impactos causados pelas organizações ao meio ambiente e ao bem-estar social (Gillan et al., 2021). Diante deste cenário, a academia têm demandado a realização de estudos na área que investiguem os fatores associados à performance ESG das companhias, dentre eles, a influência familiar nas empresas (Gillan et al., Journal of Corporate Finance, 66, 2021; Waldau, Management Review Quarterly, 1-59, 2024). A literatura que investiga os efeitos da gestão e/ou propriedade familiar na performance ESG das empresas é recente e limitada, focada principalmente em mercados de capitais internacionais e, não contam com estudos que investiguem a influência da Gestão e Propriedade Familiar (Waldau, Management Review Quarterly, 1-59, 2024). Portanto, tendo em vista a lacuna na literatura nacional, o objetivo deste estudo é analisar a relação entre a gestão e a propriedade familiar e a performance ESG das companhias abertas brasileiras. A amostra utilizada consiste em 105 empresas listadas na Brasil, Bolsa, Balcão (B3), em que os dados utilizados foram extraídos do Economatica, Refinitiv Eikon e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A performance ESG foi mensurada através dos scores da base de dados da Refinitiv Eikon. A influência familiar foi medida através da Gestão Familiar, quando existem membros da família na administração das companhias, e da Propriedade Familiar, mensurada pelo percentual da concentração de ações ordinárias detidas por membros de uma mesma família. Para a análise econométrica, foram utilizadas regressões com dados em painel. Os principais resultados indicam que a Gestão Familiar exerce influência positiva e estatisticamente significante na Performance ESG das companhias abertas brasileiras. No entanto, foi verificado que a Propriedade Familiar não exerce influência significativa sobre essa performance. De forma complementar, foram realizadas análises adicionais a fim de examinar o efeito da Gestão e Propriedade Familiar em cada uma das dimensões que compõem o ESG. Os resultados dessa análise adicional demonstram que a Gestão Familiar influencia positivamente os scores dos pilares ambiental e social, enquanto que a Propriedade Familiar está positivamente relacionada ao score de governança. Os achados deste estudo podem ser explicados pela distinção entre Gestão e Propriedade Familiar. Embora ambas estejam relacionadas à presença da família na empresa, implicam formas distintas de atuação e controle. Enquanto a Gestão Familiar tende a refletir preocupações reputacionais e sociais mais imediatas, alinhadas à agenda de responsabilidade ambiental e social, a Propriedade Familiar tende a demonstrar maior preocupação com o monitoramento e a preservação dos mecanismos de governança corporativa, a fim de proteger os interesses de longo prazo dos acionistas familiares (Berrone et al., Family Business Review, 25(3), 258–279, 2021; Sun et al., Review of Managerial Science, 18(4), 1015–1046, 2024). Os achados são pertinentes para os investidores, administradores das companhias e para a academia ao investigar o efeito que a influência familiar exerce na performance ESG das empresas, bem como preenchem uma lacuna na literatura nacional ainda não explorada por estudos anteriores.


Biografia do Autor

Matheus Juan Silva Ribeiro, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Graduando em Ciências Contábeis na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), com interesse nas áreas de Governança Corporativa, Finanças e Análise de Dados. Experiência na área judicial, tendo atuado por dois anos na Justiça Federal do Rio Grande do Norte. Bolsista de Iniciação Científica, com artigo aprovado no Congresso SemeAd - USP.

Yuri Gomes Paiva Azevedo, Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (FEA-RP/USP), com período sanduíche na The University of Texas (UTEP). Mestre e Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atualmente é professor do Curso de Ciências Contábeis e do Mestrado em Administração da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Atuou como orientador do MBA em Gestão Tributária da Universidade de São Paulo (USP/Esalq) e como professor substituto do curso de Ciências Contábeis da UFRN. Membro do Grupo de Pesquisa em Informações Contábeis - InCont (FEA-RP/USP), do Grupo de Pesquisa em Finanças - GPFin (FEA-RP/USP) e do Grupo de Pesquisa Contabilidados (UFERSA). Atua na área de Contabilidade para Usuários Externos, com foco nos temas: Governança Corporativa, Qualidade da Informação Contábil e Vieses Comportamentais. Publicações em revistas nacionais e internacionais, como Corporate Governance, International Journal of Managerial Finance e Corporate Social Responsibility and Environmental Management. Peer reviewer certificado pela Publons Academy.