Análise Comparativa da Degradação da Textura em Trilhas de Roda Utilizando Fotogrametria 3D com Smartphone

Pablo Manoel

UFERSA

Wellington Lorran

UFERSA

Palavras-chave: Atrito, Degradação, Fotogrametria 3D, Pavimentos, Segurança viária


Resumo

O pavimento asfáltico deve ser seguro, confortável e durável, equilibrando desempenho
funcional e estrutural. Do ponto de vista funcional, garantir a textura do pavimento em boas
condições é essencial para a segurança viária, pois o atrito pneu-pavimento é fundamental
para manter a estabilidade dos veículos, especialmente em condições adversas como a
chuva. Normalmente são empregados dois ensaios para avaliar as condições de textura do
pavimento: (I) O ensaio de Mancha de Areia, utilizado para monitorar a Macrotextura, e (II) o
ensaio do Pêndulo Britânico, voltado para avaliar a Microtextura. No entanto, esses ensaios
demandam tempo, equipamentos, equipes em campo, em trechos extensos seria necessário
interdição por um longo tempo. Nesse sentido, o uso de imagens apresenta como vantagens
a realização de coletas mais rápidas, a menor interferência do operador e a possibilidade de
utilização de equipamentos mais simples. Este trabalho avaliou a degradação da textura em
trilhas de roda de pavimentos urbanos e sua relação com a segurança viária por meio da
Distância de Visibilidade de Parada (DVP). O estudo foi conduzido no município de
Caraúbas-RN, abrangendo quatro trilhas de roda, compostas por 22 pontos estratégicos em
zonas de frenagem e aceleração, que são potenciais para desgastar a superfície e gerar
zonas perigosas para a segurança. As medições foram obtidas por meio de fotogrametria de
curto alcance (FCA) utilizando smartphone, permitindo a reconstrução tridimensional da
superfície. Os parâmetros de textura tridimensionais, volume médio de picos (Vmp) e
densidade de picos (Spd), extraídos conforme a norma ISO 25178, foram empregados para
estimar o atrito através do modelo de Kogbara (2018), a fim de caracterizar o estado atual de
degradação do pavimento. Paralelamente, o ensaio de Mancha de Areia (NBR 16504) foi
aplicado para fornecer medidas de Macrotextura como referência. Os resultados confirmaram
as diferenças de desgaste entre as trilhas. A trilha externa T1 apresentou o melhor
desempenho, com Macrotextura média de 1,23 mm e International Friction Index (IFI) de 0,22.
A trilha T4 apresentou comportamento intermediário, com Mean Texture Depth (MTD) de 0,98
e IFI de 0,21. Em contraste, as trilhas internas T2 e T3 exibiram maior desgaste, com MTD de
0,68 mm e 0,61 mm, e IFI de 0,21 e 0,20 respectivamente. Essa variabilidade no atrito
impactou diretamente a segurança, os valores de DVP variaram cerca de 20% entre as
trilhas, indicando que a heterogeneidade do atrito pode gerar zonas com maior ou menor
potencial de segurança. Conclui-se que a metodologia proposta oferece uma alternativa de
baixo custo e de fácil replicabilidade para o monitoramento contínuo de pavimentos urbanos,
com potencial aplicação em programas de gestão de infraestrutura viária.