Crescimento do capim elefante cv. Brs capiaçu irrigado com água residuária da indústria do petróelo
Fernanda Souza da Silva
UFERSA
Marcelo Tavares Gurgel
Gthielly Maira Fernandes
Suelen Layra Lemos bastos
Palavras-chave: reaproveitamento hídrico; Pennisetum purpureum; água residual; irrigação deficitária; sustentabilidade agrícola
Resumo
O uso racional da água em regiões semiáridas representa um desafio diante da crescente
escassez hídrica causada por fatores climáticos e antrópicos. Nesse contexto, o reuso de
água produzida (AP), proveniente da indústria do petróleo, surge como alternativa sustentável
para a agricultura, desde que devidamente tratada. O presente estudo teve como objetivo
avaliar o crescimento do capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum.) cv. BRS Capiaçu
irrigado com diferentes lâminas de irrigação (50%, 75% e 100%) combinadas a diluições de
água produzida (0%, 50% e 100%). O experimento foi conduzido em estufa na Universidade
Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em delineamento inteiramente casualizado, com
arranjo fatorial 3×3 e cinco repetições, ordenadas nos seguintes tratatamentos T1 (100% AP
+100% LAM), T2 (100% AP + 75% LAM), T3 (100% AP + 50% LAM), T4 (50% AP + 100%
LAM), T5 (50% AP + 75% LAM), T6 (50% AP + 50% LAM), T7 (0% AP + 100% LAM), T8 (0%
AP + 75% LAM) e T9 (0% AP + 50% LAM). Foram utilizadas mudas de capim-elefante
plantadas em vasos de 25L contendo Argissolo Vermelho Distrófico, submetidas à irrigação
diária conforme a evapotranspiração da cultura. A avaliação foi submetida aos 45 e 90 dias
após o tratamento (DAT), as variáveis biométricas como número de folhas, altura da planta,
diâmetro do colo, largura e comprimento da folha diagnóstica, além das massas fresca e seca
das folhas e colmos aos 90 DAT. Os dados foram submetidos à análise de variância e teste
de Tukey pelo programa SISVAR. Os resultados indicaram que as lâminas de irrigação
influenciaram significativamente o crescimento do capim-elefante, com destaque para as
lâminas de 75% e 100%, que promoveram maior altura, diâmetro do colo e número de folhas.
Por outro lado, as diferentes diluições de água produzida não apresentaram efeitos
significativos sobre a maioria das variáveis morfológicas. A lâmina de 75%, combinada à
irrigação com 100% de água produzida, mostrou-se eficiente e sustentável, possibilitando o
reaproveitamento de efluentes industriais sem comprometer o desenvolvimento das plantas.
Dessa forma, o estudo demonstra que o uso de água residuária tratada da indústria do
petróleo pode ser uma alternativa viável para irrigação de forrageiras no semiárido,
contribuindo para a redução da demanda por água doce e para o avanço de práticas
agrícolas mais sustentáveis e economicamente viáveis na região.