CRIOPRESERVAÇÃO DE TECIDO TESTICULAR DE PREÁS (Galea spixii) UTILIZANDO DIFERENTES MÉTODOS DE VITRIFICAÇÃO

Joana Letícia Cottin de Albuquerque

UFERSA

Tereza Valeska Cavalcante Silva

Gabriela Linhares Leite

Isadora Gomes Guerra

Alexandre Rodrigues Silva

Palavras-chave: Morfologia, Preá, Testículos, Viabilidade, Vitrificação


Resumo

As mudanças climáticas e atividades humanas vêm provocando impactos significativos no ecossistema, afetando diretamente a população de preás (Galea spixii), roedores nativos do bioma Caatinga. Neste estudo, objetivou-se avaliar diferentes técnicas de vitrificação quanto a manutenção da integridade do tecido testicular de preás (CEUA n°33/2024; SISBIO n°66618-5). Seis pares de testículos de preás adultos foram coletados, fragmentados e separados em dois grupos: fresco e criopreservado. No  grupo criopreservado foram testados diferentes métodos de vitrificação: convencional (CV), em superfície sólida (SSV), em agulhas (VIA) e com o dispositivo metálico Ovarian Tissue Cryopreservation (OTC). Utilizou-se solução de equilíbrio à base de Meio Essencial Mínimo de Dulbecco (DMEM) com 0,25M de sacarose, 10% de soro fetal bovino (SFB) e 2,8M dos crioprotetores dimetilsulfóxido (DMSO) e etilenoglicol (EG), seguida de solução de vitrificação com DMEM, 0,5M de sacarose, 10% de SFB e 5,6M de DMSO/EG. Após a vitrificação, as amostras foram armazenadas em botijões criobiológicos por uma semana, sendo posteriormente aquecidas para análise morfológica e viabilidade celular. A histologia clássica foi utilizada para as avaliações morfológicas do tecido. Avaliaram-se 30 túbulos seminíferos quanto à separação da membrana basal, vacuolização, ruptura de membrana basal, perda celular e organização estrutural, atribuindo-se escores de 1 (mais comprometido) a 3 (melhor preservação). Para avaliação da viabilidade celular, os tecidos foram digeridos em colagenase IV e incubados com iodeto de propídio (IP) e Hoechst 33342. No microscópio de epifluorescência, contou-se 100 células por tratamento, classificadas como inviáveis (vermelho) ou viáveis (azul). Os resultados da morfologia foram expressos como média±erro padrão, e analisados pelo teste Kruskal-Wallis, seguido do teste Dunn para comparação de médias (P<0,05), enquanto os resultados da viabilidade foram comparados por ANOVA seguida do teste Tukey (P<0,05). Foram observadas diferenças morfológicas entre o grupo fresco e o vitrificado para todos os parâmetros analisados. Para separação de membrana basal, ruptura da membrana basal e perda celular, todos os vitrificados foram semelhantes entre si e inferiores ao fresco (P<0,05). Na vacuolização, o OTC foi semelhante ao CV, e superior ao SSV e VIA (P<0,05). Já na estrutura tubular, o OTC foi superior aos demais, sendo SSV e CV semelhantes a OTC e a VIA, que foi inferior à todos (P<0,05). O grupo fresco apresentou média de 70,67±4,25% de células viáveis. Após o aquecimento, reduziu-se a viabilidade em todos os grupos (P<0,05), sendo observadas 48±3,1% para CV, 17,3±4,4% para SSV, 22±8,7% para VIA, e 15,3±2,6% para o OTC. Desta forma, a vitrificação resultou em redução da viabilidade e qualidade morfológica em relação ao tecido fresco. Vale salientar, entretanto, que o CV obteve o melhor desempenho considerando as duas análises realizadas, sugere-se que o CV permite uma melhor adequação do tecido às mudanças de temperatura oriundas do processo de vitrificação. Portanto, o protocolo CV utilizando a combinação dos crioprotetores DMSO e EG é adequado para a manutenção da integridade das células testiculares de preás.