Avaliação dos parâmetros hematológicos e efeitos adversos do uso de tramadol associado à dipirona por via oral em cães

Mila Luryan Gabriel Nascimento

Ufersa

Manuela Costa de Menezes

Andressa Mouta Nunes

Kathryn Nóbrega Arcoverde

Valéria Veras de Paula

Palavras-chave: Opioide, Analgesia, Hematologia, Reações adversas


Resumo

Medicamentos como o tramadol e dipirona são amplamente utilizados na prática clínica veterinária, de forma isolada ou em associação, com o objetivo de promover o bem-estar animal em situações que envolvem dor aguda ou crônica. No entanto, observa-se uma escassez de estudos na literatura que abordem de forma sistemática o acompanhamento e a caracterização de possíveis efeitos adversos decorrentes do uso dessas substâncias. Dessa forma, objetivou-se com essa pesquisa avaliar se a associação de tramadol e dipirona administrados por via oral em dose única são capazes de alterar padrões hematológicos e causar possíveis efeitos adversos. Foram selecionadas 8 cadelas, consideradas hígidas após avaliação clínica e laboratorial, pesando 13,31 ± 6,1kg, adultas, administrando-se tramadol (4mg/kg) associado a dipirona (25mg/kg). Coletou-se 0,5 mL de sangue em tubos contendo ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) para hemograma, sendo analisados os seguintes parâmetros: hemácias (He), hemoglobina (Hb), hematócrito (Ht), volume corpuscular médio (VCM), concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM), leucócitos (Leu), plaquetas (Plt), neutrófilos segmentados (Seg), linfócitos (Linf), eosinófilos (Eos), monócitos (Mon), bastonetes (Bast). As coletas ocorreram no tempo 0 (antes da administração) e 48h após a administração do tratamento. As amostras foram enviadas ao HOVET/UFERSA para serem analisadas por máquina hematológica Urit-3000Plus® e contagem diferencial de células de forma manual. Os dados foram submetidos a teste t student pareado (p>0,05) sendo expressos em média e desvio padrão, obtendo-se como resultados para T0 e T48, respectivamente: He (7,32 ± 0,91; 6,88 ± 0,99 milhões/mm³), Hb (15,98 ± 1,77; 15,39 ± 2,07 g/dL), Ht (46,88 ± 5,9; 43,25 ± 9,42%), VCM (64,00 ± 5,07; 65,08 ± 4,45 fL), CHCM (34,38 ± 2,00; 34,38 ± 3,07%), Leu (9650 ± 3084; 10825 ± 3471/mm³), Seg (5251 ± 2194; 5488 ± 2198/mm³), Linf (3222 ± 1135; 3677 ± 1318/mm³), Eos (794 ± 857; 1161 ± 1256/mm³), Plt (292750 ± 59406; 264625 ± 59028/mm³). De forma que nenhum parâmetro avaliado apresentou qualquer alteração estatisticamente significativa (p > 0,05). Com relação aos efeitos adversos, dois animais (25%) apresentaram salivação durante a administração do fármaco e um animal (12,5%) apresentou sonolência. Conclui-se que a associação de tramadol e dipirona em administração única nas doses utilizadas, não promoveu alterações hematológicas significativas em cadelas hígidas e incentiva-se a realização de estudos adicionais com acompanhamento farmacoterapêutico para melhor investigar a resposta dos animais após múltiplas administrações.