Espécies de Fusarium causam podridão em abóboras
Jemerson Willami Silva Ribeiro
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Ana Paula de Moura
Jarlan Lucas dos Santos Silva
UFERSA
Vanuza Maria Ávila Filha
UFERSA
Márcia Michelle de Queiroz Ambrósio
UFERSA
Palavras-chave: Cucurbita moschata, fusariose, podridão pós-colheita
Resumo
A abóbora (Cucurbita spp.) é uma das cucurbitáceas de maior relevância mundial. Porém, essa cultura é susceptível ao ataque de patógenos, principalmente em frutos. O gênero Fusarium é um dos principais causadores de podridões pré e pós-colheita em cucurbitáceas, sendo um dos fatores mais limitantes dessas culturas. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi identificar as principais espécies de Fusarium associadas à podridão de abóboras no Nordeste do Brasil. Para isso, foram coletadas abóboras (Cucurbita moschata var. sergipana) com sintomas de podridão em áreas produtoras no estado do Rio Grande do Norte. Posteriormente, os frutos foram levados ao Laboratório de Microbiologia e Fitopatologia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), onde foram retirados fragmentos das bordas das lesões dos frutos coletados. Em seguida, os fragmentos foram submetidos à desinfestação superficial, colocados em placas de Petri contendo batata-dextrose-ágar (BDA) e incubados por cinco dias. Nove isolados de Fusarium foram obtidos, cultivados monosporicamente e utilizados para as avaliações morfológicas e moleculares (regiões EF-1α e RPB2). As características morfológicas dos isolados corresponderam às descrições originais de cada espécie. Foram identificadas três espécies de Fusarium: F. falciforme, F. sulawesiense e F. Delphinoides. Para o teste de patogenicidade, os frutos foram desinfestados superficialmente e foram feitos dois furos por fruto em posições opostas, utilizando um furador de aço esterilizado, para onde discos de micélio de mesmo diâmetro dos furos foram transferidos. Como controle, foram utilizados utilizou-se frutos contendo apenas discos de BDA. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado (DIC), com três frutos por tratamento (isolado). Os frutos foram armazenados em câmara úmida à temperatura ambiente (média de 27 ± 2 °C) por 30 dias. Ao final do experimento, com o auxílio de um paquímetro, realizou-se a avaliação da severidade da doença, através das medidas dos diâmetros das lesões (mm). O teste foi repetido para comprovação dos resultados. Os reisolamentos confirmaram os agentes causais, finalizando o postulado de Koch. As médias do diâmetro das lesões de cada tratamento foram analisadas pelo teste de Shapiro-Wilk (p≤ 0,05) para verificar a normalidade dos dados e posteriormente foram comparadas pelo teste não paramétrico de Van der Waerden (p≤ 0,05) utilizando o software R Studio. As espécies divergiram em agressividade, sendo F. falciforme a espécie mais agressiva. Os isolados de F. delphinoides causaram menores severidades. Os demais isolados apresentaram agressividade moderada. O presente estudo identificou Fusarium falciforme, F. sulawesiense e F. delphinoides causando podridão em abóboras no Nordeste do Brasil, ampliando o conhecimento sobre a diversidade do patógeno e colaborando com estudos de estratégias de manejo.