AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS PROVENIENTES DE SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA, NA FAIXA DE 60Hz
Caiky Breno Santiago Chaves
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Humberto Dionísio de Andrade
UFERSA
Elison Wediley dos Reis Silva
UFERSA
Pedro Arthur Freitas da Silva
UFERSA
Palavras-chave: Campos Eletromagnéticos (CEM), Interpolação Espacial, Subestação, Exposição Humana
Resumo
A crescente proximidade entre a infraestrutura elétrica e as áreas urbanas torna essencial a avaliação da exposição humana aos Campos Eletromagnéticos (CEM). A regulamentação brasileira, baseada na Resolução Normativa nº 915 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), estabelece limites para o público (4,17 kV/m e 200 µT para 60 Hz), e a norma ABNT NBR 25415 padroniza os métodos de medição. O objetivo central do trabalho foi realizar um estudo de caso na Subestação Belo Horizonte, em Mossoró (RN), para investigar a exposição aos CEM. Os objetivos específicos incluíram medir os campos elétrico e magnético de 60 Hz, verificar a conformidade desses níveis com os limites da ANEEL e gerar mapas de distribuição espacial detalhados. Realizou-se um estudo de campo quantitativo em conformidade com a ABNT NBR 25415, coletando 123 pontos georreferenciados ao redor da subestação e em perfil transversal a uma Linha de Transmissão (LT) de 69 kV. As medições, realizadas pelo dispositivo TM-190 TENMARS, foram feitas a 1,5m de altura. Os dados foram processados no Golden Surfer® usando interpolação espacial. O método de análise foi a Krigagem Ordinária (KO), e os modelos Gaussiano (KO-G) e Exponencial (KO-Ex) foram selecionados por validação cruzada com base nas métricas de Erro Médio Absoluto (MAE) e Raiz do Erro Quadrático Médio (RMSE). A análise estatística descritiva revelou medianas de 0,056 kV/m (campo elétrico) e 0,225 µT (campo magnético). A validação cruzada indicou o modelo KO-G como o mais preciso para o campo elétrico (RMSE de 0,0892 kV/m) e o modelo Krigagem Ordinária Exponencial KO-Ex para o campo magnético (RMSE de 0,11835171 µT). Os mapas de distribuição espacial mostraram que os picos do campo elétrico (aprox. 0,44 kV/m) estão confinados ao corredor da LT, enquanto os picos do campo magnético (aprox. 2 µT) se concentraram próximos ao barramento da subestação, na calçada adjacente. O estudo validou a metodologia como eficaz para a caracterização espacial dos CEM. Concluiu-se que todos os níveis de exposição medidos no entorno da subestação estão significativamente abaixo dos limites regulatórios da ANEEL para o público. Desta forma, a subestação estudada não representa risco à saúde da população adjacente, estando em conformidade com as normas vigentes. Recomenda-se a ampliação das medições para o interior da subestação para avaliar a exposição ocupacional.