Avaliação comparativa dos parâmetros espermáticos em zangões de abelhas européias (Apis Mellifera Linnaeus, 1758) e abelhas africanizadas (Apis Mellifera l. linnaeus, 1758) no semiárido do Rio Grande do Norte, Brasil.

Lilian Leal Dantas

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Andréia Maria da Silva

Leandro Alves da Silva

Katia Peres Gramacho

Alexandre Rodrigues Silva

Palavras-chave: Conservação, Microscopia eletronica de varredura, Parâmetros espermáticos, Sêmen, Zangões


Resumo

As abelhas são polinizadores essenciais do ponto de vista ecológico e econômico, com diversas espécies que diferem morfológica e fisiologicamente. Assim, compreender as variações nos parâmetros reprodutivos entre genótipos é essencial, especialmente dada a escassez de estudos comparativos conduzidos no mesmo ambiente. Este estudo teve como objetivo comparar as características espermáticas de zangões italianos (Apis mellifera ligustica) e africanizados (Apis mellifera L.) criados no bioma Caatinga. Para tanto, foram utilizados nove zangões italianos e dezesseis africanizados sexualmente maduros de diferentes colônias. A coleta de sêmen foi realizada pela técnica de eversão do endofalo, seguida de diluição em solução fisiológica na proporção de 1:20. Os parâmetros analisados incluíram: motilidade, viabilidade espermática, integridade funcional da membrana plasmática, morfologia e morfometria, além da análise ultraestrutural dos espermatozoides por microscopia eletrônica de varredura (MEV). Os resultados foram expressos como média e erro padrão. Para a análise estatística, utilizou-se o teste de Shapiro-Wilk para avaliar a normalidade dos resíduos e o teste de Bartlett para verificar a homoscedasticidade. A comparação entre os grupos foi realizada por meio dos testes de Mann-Whitney e o teste t Student. Todas as análises foram conduzidas no software GraphPad Prism 9.3, adotando-se um nível de significância de 5%. Os resultados demonstraram motilidade de 90% em ambos os genótipos, com padrão circular de movimento. A viabilidade espermática foi de 82,4 ± 2,5% nos italianos e 81,1 ± 2,4% nos africanizados, enquanto a integridade funcional da membrana plasmática foi de 93,4 ± 1,8% e 91,6 ± 1,5%, respectivamente. Em relação à morfologia, a porcentagem de espermatozoides normais com cauda reta foi de 10,89 ± 1,66% nos italianos e de 12,06 ± 1,01% nos africanizados. Já a porcentagem de espermatozoides normais com cauda enrolada foi de 88,56 ± 1,7 nos italianos e de 87,63 ± 1,1 nos africanizados, sendo essa uma característica decorrente do padrão circular do movimento espermático em zangões. Não houve diferença estatisticamente significativa (P > 0,05) entre esses parâmetros. No entanto, a morfometria da cabeça dos espermatozoides foi significativamente maior (P < 0,05) nos italianos (10,04 ± 0,03 µm) em comparação aos africanizados (9,33 ± 0,04 µm). A análise de microscopia eletrônica não revelou diferenças ultraestruturais entre os genótipos. Em conclusão, há grande similaridade nos parâmetros espermáticos de ambos os genótipos sob as mesmas condições ambientais, indicando a viabilidade de aplicar estratégias de manejo reprodutivo semelhantes.