Morfofisiologia do olho de peixe-boi-marinho das Antilhas (Trichechus manatus manatus LINNAEUS, 1758)
Antonio Lopes da Silva Neto
UFERSA
Fernanda Loffler Niemeyer Attademo
Moacir Franco de Oliveira
Alana Ingrid de Araújo Pereira
Radan Elvis Matias Oliveira
Palavras-chave: Córnea, Cristalino, Oftalmologia, Retina, Sirenia.
Resumo
O olho do Trichechus manatus manatus desempenha um papel vital em sua sobrevivência, sendo essencial para a busca de alimento, comunicação e locomoção em seu ambiente aquático. Assim, este estudo teve como objetivo caracterizar a morfologia do globo ocular do T. m. manatus, contribuindo para a compreensão da morfofisiologia ocular da espécie. Fragmentos dos olhos de três animais foram utilizados para descrever a organização morfofisiológica, por meio de técnicas de microscopia de luz e de microscopia eletrônica de varredura (MEV). O olho era pequeno, quase esférico, com três túnicas: fibrosa (esclera e córnea), vascular (coróide, corpo ciliar e íris) e interna (retina). O interior do bulbo ocular foi dividido em três câmaras: a câmara anterior, localizada entre a córnea e a íris; a câmara posterior, situada entre a íris, o corpo ciliar e o cristalino; e a câmara vítrea, posicionada atrás do cristalino e circundada pela retina, a qual era preenchida pelo humor vítreo. A MEV evidenciou a presença de pupila arredondada. A esclera envolvia o nervo óptico e apresentava epitélio estratificado, melanócitos e estroma de tecido conjuntivo denso. A córnea tinha cinco camadas e vascularização central e periférica. Na transição entre a córnea e a esclera, o limbo era visivelmente espessado. O cristalino era elíptico, com cápsula, epitélio e fibras. A coróide era pigmentada, vascularizada e rica em melanócitos. O corpo ciliar apresentava grandes vasos e epitélio ciliar. A íris era muito vascularizada, com epitélio pigmentado. A retina apresentava nove camadas, incluindo epitélio pigmentar, fotorreceptores, camadas nucleares, plexiformes e de células ganglionares. O olho do T. m. manatus apresenta características morfológicas peculiares quando comparado às da maioria dos mamíferos, especialmente no que se refere à presença de vasos sanguíneos na córnea. Essa peculiaridade histológica ressalta a importância de considerar as adaptações específicas ao habitat e reforça a necessidade de estudos morfológicos em animais ameaçados de extinção, a fim de fornecer informações essenciais para a conservação e mitigação dos riscos à espécie.