Razão e Emoção nas decisões financeiras: evidências empíricas

FELIPE DE LIMA PEREIRA

UFERSA

LIANA HOLANDA NEPOMUCENO NOBRE

UFERSA

ISABEL BRUNA CORREA DE BRITO

UFERSA

FABIO CHAVES NOBRE

UFERSA

DEBORA SILVA DE LIMA

UFERSA

Palavras-chave: Finanças Comportamentais, Microempreendedorismo, Tomada de decisão, Emoções


Resumo

O presente trabalho analisa como microempreendedores equilibram aspectos racionais e emocionais em suas decisões financeiras, explorando de que modo as emoções e os vieses cognitivos influenciam a tomada de decisão financeira em pequenos negócios. A partir da perspectiva das Finanças Comportamentais, busca-se compreender como a racionalidade limitada e os fatores subjetivos moldam as escolhas econômicas cotidianas, desafiando a concepção tradicional de agente plenamente racional (Kahneman; Tversky, 1979). A metodologia utilizada na pesquisa adota abordagem qualitativa, tendo sido realizadas entrevistas semiestruturadas com quatro gestores de microempreendimentos de diferentes setores garantindo diversidade de experiências e perspectivas, com duração entre 30 e 40 minutos cada. As entrevistas foram transcritas na íntegra analisadas e submetidas a múltiplas leituras conforme a técnica de Análise Interpretativa (Minayo, Hucitec, 2002), permitindo identificar padrões e singularidades nas percepções sobre risco, emoção e racionalidade. Os resultados revelaram a presença marcante de vieses comportamentais como aversão à perda, heurística do afeto, miopia temporal e viés de otimismo. Observou-se que o medo do endividamento constitui um dos principais limitadores à expansão dos negócios, sustentado por experiências negativas e percepções emocionais de risco. Em situações de crise, especialmente durante períodos de instabilidade econômica, os empreendedores recorreram a estratégias de resiliência baseadas em apoio familiar e redes de confiança, substituindo mecanismos formais de planejamento financeiro, além disso, constatou-se a ausência de reservas estruturadas e de estratégias de longo prazo, indicando predominância de decisões orientadas pelo curto prazo e pela busca de segurança imediata. O capital relacional se mostrou um recurso fundamental para a sobrevivência dos negócios, ainda que associado ao viés da familiaridade, que limita a exploração de novas oportunidades. Conclui-se que as decisões financeiras dos microempreendedores resultam da interação entre emoção, experiência e racionalidade limitada, configurando um processo decisório híbrido e contextual. Esses achados reforçam o quanto gestores estão vuneráveis a fatores subjetivos que permeiam por suas decisões financeiras cotidianas contribuindo ao evidenciar como vieses comportamentais clássicos como a aversão à perda, a miopia temporal e a familiaridade também se manifestam no microempreendedorismo, ampliando o escopo da literatura de Finanças Comportamentais, tradicionalmente concentrada em investidores individuais e grandes mercados financeiros. o conectar teoria e evidências empíricas, o estudo reforça a importância de considerar dimensões emocionais e relacionais na análise da racionalidade financeira em pequenos negócios. Para futuras pesquisas, seria valioso se aprofundar em como as interações entre vieses cognitivos e capital social moldam a tomada de decisão financeira no microempreendedorismo, além disso, a natureza qualitativa e exploratória deste estudo, com amostra reduzida de participantes, limita a generalização dos achados. Essa característica, embora coerente com a profundidade interpretativa proposta, reforça a necessidade de ampliar o número de casos em pesquisas futuras, permitindo comparações entre diferentes perfis de empreendedores e setores de atuação. Abordagens mistas, que combinem evidências qualitativas e quantitativas, ou estudos de caso longitudinais, poderiam oferecer uma visão mais abrangente de como emoções, vieses e redes de confiança se manifestam e evoluem ao longo do tempo.