Caracterização histológica do trato gastrointestinal de Cutias (Dasyprocta leporina Linnaeus, 1758)
Euziele Oliveira de Santana
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Alana Ingrid de Araújo Pereira
Gabrielli de Oliveira Silva
Radan Elvis de Oliveira
Moacir Franco de Oliveira
Palavras-chave: Alimentação, Digestório, Mamíferos, Microscopia, Roedor
Resumo
O trato gastrointestinal desempenha cinco funções distantas: motilidade, secreção, digestão, absorção e armazenamento. Ele é formado pelas seguintes estruturas: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) e intestino grosso, corresponde ao ceco e ao cólon e reto. Os animais apresentam diferenças marcantes na anatomia e fisiologia do trato gastrointestinal, refletindo suas adaptações alimentares ao tipo de dieta e ao ambiente em que habitam. A cutia (Dasyprocta leporina), um roedor de hábitos alimentares diversificados, incluindo frutas, folhas, sementes e raízes, ainda possui descrições limitadas quanto ao padrão histológico de seu trato digestório. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo caracterizar a organização histológica do aparelho digestório da espécie. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética (Parecer CEUA: 37/2022) e as amostras foram obtidas de 3 cutias (D. leporina) adultas cedidas pelo Centro de Multiplicação de Animais Silvestres da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. As amostras das porções do trato gastrointestinal foram fixados em formaldeído a 10% e processadas de acordo com Tolosa et al. (2003), onde foram desidratados, em série crescentes de álcool (70% a 100%), diafanizadas, em banhos de xilol, parafinizadas e em seguida emblocadas. Os blocos foram seccionados em micrótomo e as secções foram aderidos em lâminas de vidro e levados à estufa a 60°C para desparafinização. Posteriormente, foram coradas com hematoxilina e eosina, alcian blue + PAS e tricômio de Masson, as lâminas foram montadas e avaliados em microscópio óptico. O esôfago da cutia (D. leporina) apresenta mucosa de epitélio pavimentoso estratificado queratinizado nas porções cervical, torácica e abdominal. A submucosa, composta por tecido conjuntivo, contém glândulas esofágicas secretoras de muco evidenciadas por Alcian Blue + PAS, e a camada muscular esquelética possui feixes circulares internos e longitudinais externos. Diferente de outros roedores descritos por Dearden (1966), cujo epitélio esofágico se estende ao estômago, na cutia a transição epitelial ocorre exatamente no esfíncter cárdico. O estômago apresenta epitélio cilíndrico simples com numerosas glândulas gástricas, fossetas e lâmina própria de tecido conjuntivo frouxo. A submucosa é de tecido conjuntivo denso e a túnica muscular apresenta camadas circular interna e longitudinal externa, revestidas por serosa. Diferente da paca (Cuniculus paca), que possui região aglandular na cárdia, a cutia apresenta glândulas secretoras em todas as porções gástricas. O intestino delgado exibe vilosidades com epitélio cilíndrico simples e células caliciformes crescentes do duodeno ao íleo. As criptas estão presentes entre os vilos e o tecido conjuntivo frouxo forma a lâmina própria. A morfologia intestinal é compatível com outros roedores e relacionada aos hábitos alimentares. O intestino grosso apresenta epitélio cilíndrico simples com pregas, criptas alongadas e abundantes células caliciformes, sem vilosidades, semelhante ao de capivaras (Hydrochoerus sp.), segundo Carrascal-Velásquez (2017). A análise microcópia das amostras revelaram que o trato gastrointestinal das cutias apresentam histologia típica dos órgãos ocos do canal alimentar, sendo composto pelas túnicas mucosa, submucosa, muscular e serosa, semelhante a estrutura observada em outros roedores.