Inovação no campo: avaliação do óleo essencial de capim-limão (Cymbopogon citratus) como agente antioxidante em cultivos de oócitos bovinos

Ana Beatriz Morais de Oliveira

Vinícius Dantas da Silva

Brenna de Sousa Barbosa

Ana Lívia Rocha Rodrigues

Alexsandra Fernandes Pereira

Palavras-chave: Array, Array, Array, Array


Resumo

A maturação in vitro (MIV) favorece a superprodução de espécies reativas de oxigênio (EROs). Neste contexto, o óleo essencial de capim-limão (OECL) surge como um antioxidante promissor para atenuar o estresse oxidativo na MIV. Portanto, o objetivo foi avaliar o efeito do OECL no meio MIV sobre os oócitos bovinos. Para tanto, complexos cumulus-oócitos (CCOs) foram recuperados por aspiração folicular e selecionados de acordo com a morfologia da camada de células do cumulus e citoplasma. Os CCOs selecionados foram distribuídos igualmente nas gotas de meio MIV referentes aos grupos CIS (100 µM de cisteamina, antioxidante comercial), controle (sem antioxidante), OECL10, OECL25 e OECL50 (suplementado com 10, 25, e 50 µg/mL de OECL, respectivamente) e cultivados por 24 h, a 38,5 ºC e 6,5% de CO2. Após a MIV, CCOs foram avaliados quanto à expansão e viabilidade das células do cumulus, maturação nuclear — pela visualização do primeiro corpúsculo polar (1CP) e identificação do estágio nuclear metáfase II (MII) —, maturação citoplasmática — pelo distribuição e padrão de organização mitocondrial — e níveis intracelulares de EROs. Todos os dados foram expressos como média ± erro padrão de 20 repetições e analisados pelo teste qui-quadrado ou ANOVA seguida de teste de Tukey (P < 0,05). A expansão das células do cumulus não diferiu entre CIS (99,8% ± 0,5), OECL25 (100,0% ± 0,0) e OECL50 (99,6% ± 0,4). Já o OECL10 (98,3% ± 1,4) teve valor inferior ao grupo CIS, porém, semelhante a OECL50 e controle (97,1% ± 1,1). Nenhuma diferença foi observada entre os grupos CIS (99,9% ± 0,0), OECL10 (99,9% ± 0,0) e OECL25 (99,9% ± 0,1) para viabilidade das células do cumulus. Contudo, OECL50 (99,5% ± 0,9) mostrou menor resultado para essa variável, sendo equiparado ao controle (99,5% ± 0,2). Todos os grupos contendo OECL e CIS favoreceram taxas superiores de maturação nuclear quanto comparados ao controle, com valores que variaram de 72,1% a 78,1% para 1CP e 80,9% a 86,3% para MII. Quanto à maturação citoplasmática, avaliada pela distribuição mitocondrial, CIS (81,3% ± 7,2), OECL10 (83,5% ± 5,3) e OECL25 (83,9% ± 0,3) não diferiram entre si. Contudo, OECL50 (41,7% ± 6,4) exibiu a menor proporção de oócitos maturados, inferior à observada no controle (59,7% ± 1,7). Ainda, OECL25 apresentou maior taxa de oócitos com melhor padrão de organização mitocondrial (75,9% ± 3,1%) quando comparada aos demais grupos. Ainda, oócitos dos grupos OECL10 (0,41 ± 0,06), OECL25 (0,46 ± 0,08) e CIS (0,55 ± 0,14) reduziram os níveis de EROs em comparação aos oócitos de OECL50 (0,91 ± 0,32) e controle (1,00 ± 0,22). Portanto, 25 µg/mL de OECL proporcionou o maior benefício à maturação dos oócitos bovinos, mostrando potencial para substituir a cisteamina. Esse estudo foi o primeiro e importante passo para o desenvolvimento de uma nova substância antioxidante para o agronegócio nacional e internacional.


Referências