Avaliação histológica de gônadas masculinas de ratos Wistar após exposição oral do pó de concha de Anomalocardia brasiliana (Gmelin, 1791).
Isabel Cristina Queiroz Costa
UFERSA
Kewin Henderson Xavier Monteiro
Ana Beatriz Silva Angelo
Camila Ewinny Costa Dunga
Cibele dos Santos Borges
Palavras-chave: infertilidade, estresse oxidativo, bioativos marinhos, toxicologia
Resumo
A infertilidade constitui um problema global que atinge cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva, sendo fatores ambientais, hormonais e comportamentais importantes contribuintes, especialmente no público masculino. Entre os agentes com potencial protetor frente a danos reprodutivos, os compostos bioativos marinhos têm se destacado por apresentarem propriedades antioxidantes capazes de minimizar o estresse oxidativo e preservar a integridade celular. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos protetores e/ou reparadores do pó de conchas de Anomalocardia brasiliana sobre a histologia gonadal de ratos Wistar. Para tanto, foram utilizados ratos Wistar machos com 90 dias de idade provenientes do Biotério da UERN e aclimatados no Biotério da UFERSA (Parecer CEUA 02/2024). Vinte animais foram randomizados em quatro grupos experimentais (n=5/grupo): CRTL (Controle), T1 (tratados com 100ug/kg suplemento), T2 (tratados com 300ug/kg suplemento) e T3 (tratados com 500ug/kg suplemento), com base no consumo médio de cálcio recomendado diariamente e outros fármacos à base das conchas, sendo submetidos à administração via gavagem diária durante 30 dias. Ao término do tratamento, os animais foram eutanasiados por sobredosagem de xilazina e ketamina, sendo os testículos removidos, pesados e destinados às análises histológicas. Foram avaliados parâmetros como a dinâmica da espermatogênese e a contagem das células de Sertoli, indicadores diretos da integridade funcional testicular. Análise estatística: ANOVA seguido de Tukey (considerando p<0,05). Na dinâmica da espermatogênese, especificamente na avaliação dos estágios I ao VI da espermatogênese, observou-se uma diferença significativa entre os tratamentos T1 (50,00±4,658), T2 (49,00±3,933) e o controle (49,00±4,722), os quais apresentaram maiores valores médios em comparação ao T3 (36,00±8,240). Embora o grupo T3 não tendo diferido do controle, ele apresentou uma resposta biológica, sugerindo que concentrações mais altas do bioativo podem ter efeitos menos benéficos ou até potencialmente prejudiciais à dinâmica da espermatogênese nesses estágios. Dessa forma, evidencia-se que o sistema reprodutor masculino apresenta elevada sensibilidade a compostos externos, que podem alterar processos celulares essenciais e afetar o equilíbrio funcional das células envolvidas na espermatogênese. Com relação a contagem das células de Sertoli, os resultados não mostram diferenças significativas entre os tratamentos T1 (95,00 ± 23,53), T2 (89,50 ± 14,82), T3 (107,5 ± 20,93), sugerindo que as condições experimentais não comprometeram a integridade funcional das células de Sertoli. Isso pode ser atribuído à presença de antioxidantes ou à ausência de estressores internos que comprometam o microambiente testicular. Conclui-se que a suplementação com pó de conchas não induziu toxicidade testicular nem comprometeu a função reprodutiva, contudo, vale ressaltar a necessidade de estudos complementares para elucidar os mecanismos subjacentes aos efeitos observados.