AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA DA MICROBIOTA DE FÊMEAS DE CATETO (Pecari tajacu Linnaeus, 1758) PUBESCENTES FRENTE A ANTIMICROBIANOS.

Tereza Valeska Cavalcante Silva

UFERSA

Yasmim Carla da Silva Cavalcante

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Caio Sérgio Santos

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Francisco Marlon Carneiro Feijó

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Alexandre Rodrigues Silva

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Palavras-chave: Cateto, Antibiograma, Microbiologia, Biodiversidade, Preservação


Resumo

A conservação das espécies silvestres depende não apenas da proteção dos habitats, mas também da compreensão de sua biologia reprodutiva. A microbiota vaginal é essencial para a saúde e fecundidade das fêmeas, bem como para a saúde e o equilíbrio microbiano dos filhotes. Na conservação de animais silvestres da Caatinga, estudos sobre microbiota e resistência antimicrobiana são decisivos para o sucesso das biotecnologias reprodutivas. Os catetos (Pecari tajacu) são ungulados ainda pouco estudados quanto ao microbioma. Embora classificados como de pouca preocupação quanto à extinção, sofrem ameaças constantes. Eles também podem contribuir para a preservação de tayassuídeos intimamente relacionados e ameaçados de extinção, como o taguá (Catagonus wagneri). Considerando que a inseminação artificial (IA) ainda está em evolução para espécies silvestres, sua aplicação requer sêmen de boa qualidade. Em alguns casos, a adição de antibióticos aos diluentes é necessária para aumentar a viabilidade dos espermatozoides. Entretanto, tal prática pode afetar a microbiota da fêmea, dependendo de sua sensibilidade ao fármaco e da sua concentração. Neste contexto, objetivou-se caracterizar a microbiota vaginal de catetos por meio de provas bioquímicas, bem como obter o perfil de resistência antimicrobiana dos animais avaliados. A metodologia envolveu a coleta de swabs vaginais de seis fêmeas de cateto em fase pubescente, cultivo microbiológico em Ágar Sangue e Ágar MacConkey, identificação bacteriana por meio de provas bioquímicas e teste de sensibilidade por disco-difusão, com base nos padrões de sensibilidade preconizados pelo BrCAST em 2025. Foram isoladas 28 cepas, todas Gram-positivas, com predominância dos gêneros Corynebacterium (28,6%) e Staphylococcus (25%), similar ao observado em machos da espécie. Os antibiogramas revelaram resistências relevantes: 70% das cepas de Staphylococcus foram resistentes à eritromicina, 83% de Corynebacterium à tetraciclina e 100% de Aerococcus à ampicilina. Contudo, as cepas de Staphylococcus e Enterococcus mostraram-se sensíveis a antibióticos comumente utilizados em diluentes de sêmen, como penicilinas e cefalosporinas, podendo representar um risco de desequilíbrio da microbiota (disbiose) durante programas de IA. Além disso, foi detectada uma cepa de Staphylococcus que apresentou multirresistência à tetraciclina, linezolida e eritromicina, o que representa um alerta para o uso de antibióticos. Em suma, estes achados permitem concluir que é possível traçar um panorama inicial da composição da microbiota aeróbia vaginal de fêmeas de cateto pubescentes a partir de provas bioquímicas, além de exprimir um panorama de resistência e sensibilidade da microbiota vaginal das fêmeas pubescentes de cateto. Possibilitando assim o entendimento que a exposição da microbiota à fármacos presentes nos diluentes do sêmen supracitados podem afetar a persistência de cepas a depender de sua concentração em populações cepas numerosas nesse estudo, como Staphylococcus, sendo a diminuição de sua expressividade potencialmente patológica para a fêmea e seus filhotes, assim como o desenvolvimento de resistência em casos de exposição constante.