Cores da Caatinga: um inventário florístico da praça das flores no Campus Angicos, RN
Valquiria Melo Souza Correia
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
Robson Vinicius de Oliveira Dantas
Manoele Vicente Cassiano Viega
Marcilio Luis Viana Correia
Palavras-chave: Caatinga, diversidade florística, ecologia urbana, áreas verdes
Resumo
As áreas verdes urbanas, especialmente as praças, exercem funções ecológicas, sociais e estéticas fundamentais para a melhoria da qualidade ambiental e do bem-estar humano. No contexto do semiárido nordestino, onde predominam condições climáticas severas e escassez hídrica, esses espaços assumem papel estratégico na mitigação de impactos urbanos e conservação da biodiversidade. Este estudo teve como objetivo identificar, catalogar e analisar a composição florística da Praça das Flores, situada entre os Blocos 1 e 2 dos professores da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) – Campus Angicos/RN, área inserida no bioma Caatinga. A pesquisa foi desenvolvida entre fevereiro e maio de 2025, utilizando visitas técnicas, observação direta e o aplicativo PlantNet para identificação botânica, complementada pela validação de especialistas. Foram registradas 52 espécies vegetais, distribuídas em 25 gêneros e 15 famílias botânicas, das quais 45,5% são nativas e 54,5% exóticas. As famílias Fabaceae, Anacardiaceae e Bignoniaceae destacaram-se pela maior representatividade e relevância ecológica. Dentre as espécies mais frequentes, sobressaíram-se Gliricidia sepium (gliricídia), Crataeva tapia (trapiazeiro), Plumeria rubra (jasmim-manga) e Mangifera indica (mangueira). A predominância de espécies introduzidas reflete intervenções antrópicas recorrentes na arborização urbana, as quais, embora ampliem a diversidade visual, podem comprometer o equilíbrio ecológico e a regeneração natural das espécies nativas. Ressalta-se, contudo, a presença de espécies emblemáticas como Paubrasilia echinata (pau-brasil) e Adansonia spp. (baobá), que agregam valor histórico, simbólico e cultural ao espaço, reafirmando o potencial educativo e identitário da vegetação. O município de Angicos, localizado no semiárido potiguar, apresenta clima quente e seco, com precipitações anuais variando entre 250 e 800 mm e temperaturas médias entre 24 °C e 30 °C (IBGE, 2023; MMA, 2024). Apesar da aridez, o bioma Caatinga abriga flora altamente adaptada e de grande relevância ecológica. A presença de árvores em ambientes urbanos atua como regulador microclimático, promove a melhoria da qualidade do ar e favorece a conservação da fauna associada (FAO, 2023; ONU-Habitat, 2022). Os resultados obtidos reforçam a importância da gestão integrada da arborização urbana, que deve considerar critérios botânicos, ecológicos, paisagísticos e socioculturais. O inventário florístico elaborado constitui uma ferramenta técnica de apoio à tomada de decisão, orientando ações futuras de manejo, conservação e enriquecimento vegetal no campus. O trabalho contribui diretamente para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 11 e 15), promovendo cidades mais sustentáveis, resilientes e ecologicamente equilibradas.
Biografia do Autor
Valquiria Melo Souza Correia, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
Graduada em Administração de Empresas pela Associação de Ensino Superior de Fortaleza - AESF (1999), graduação em Serviço Social (2002), Licenciatura em Matemática (2009) pela Universidade Estadual do Ceará - UECE, Tecnóloga em Gestão Ambiental pelo Centro Universitário Estácio de Santa Catarina (2018). Especialista em Educação de Jovens e Adultos pela Universidade de Brasília, Especialista em Gestão Empreendedora pela Universidade Federal do Ceará e Especialista em Docência em Nível Superior. MBA em Engenharia e Gestão de Energias Renováveis. Doutora em Engenharia Civil - área de concentração Saneamento Ambiental (DEHA) na Universidade Federal do Ceará (2019). Professora do Departamento de Engenharia (DENGE) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Campus Angicos, ex-coordenadora e tutora da Empresa Junior Turing e Desenvolvimento, ex-membro titular do Conselho de Administração da UFERSA, coordenou o Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação e foi Coordenadora Adjunta do EnergIFE (2023-2-24). Tem experiência na área de Administração de Empresas no Serviço Social da Indústria (SESI). Coordenou o subprojeto de Informática PIBID-UFERSA - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência. Dedicada ao estudo (ensino, pesquisa e extensão) da implementação dos conceitos, técnicas e ferramentas da tomada de decisão, governança, energias renováveis, cidade inteligentes/smart campus e gerenciamento de resíduos sólidos. Tem interesse em temáticas associadas à melhoria da qualidade da aprendizagem nos cursos de graduação e gestão universitária.