Manejo da podridão causada por Fusarium falciforme em melão do tipo Gália

Vanuza Maria Ávila Filha

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Breno de Holanda Almeida

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Rebeca Monique Silva Frutuoso

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Jemerson Willami Silva Ribeiro

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Márcia Michelle de Queiroz Ambrósio

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Palavras-chave: Cucumis melo L., pós-colheita, doenças, controles alternativos


Resumo

O Brasil destaca-se como o segundo maior exportador mundial de melão, com destaque para a região Nordeste, principal produtora dessa cucurbitácea no país. Nesta região, o modelo de monocultura intensiva favorece o surgimento e a disseminação de patógenos, como Fusarium falciforme (Carrión) Summerb. & Schroers, 2002 (Hypocreales: Nectriaceae), agente causador da podridão peduncular. Frente às limitações impostas pelo uso de fungicidas convencionais em mercados internacionais exigentes, alternativas sustentáveis e eficazes como a termoterapia e o uso de fitorreguladores têm sido investigadas. Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da termoterapia associada a fitorreguladores de maturação no manejo da podridão causada por F. falciforme em melões Gália (Cucumis melo var. reticulatus 'Gália Citrino'). Frutos foram colhidos na fazenda Agrícola Famosa aos 65 dias após o transplantio, levados ao Laboratório de Tecnologia de Alimentos na Universidade Federal Rural do Semi-Árido, desinfestados superficialmente e inoculados com uma suspensão de F. falciforme (1×10⁶ conídios/mL). Foram realizados dois ensaios idênticos em delineamento inteiramente casualizado, com oito tratamentos e sete repetições (um fruto por repetição). Os tratamentos  foram: controle (CTL), termoterapia (TM), 1-metilciclopropeno (1-MCP), TM+1-MCP, giberelina (GA), TM+GA, fungicida Graduate A+® (GRAD) e TM+GRAD. Os frutos foram armazenados por 20 dias a 9±2 °C e, posteriormente, foram avaliados a severidade da doença, características físico-químicas (°Brix, firmeza e pH) e respostas bioquímicas (atividade de catalase – CAT, peroxidase – POX e conteúdo de peróxido de hidrogênio – H₂O₂). Os dados foram analisados pelo teste de Scott-Knott ou Kruskal-Wallis (p ≤ 0,05).  Os resultados demonstraram que o tratamento GRAD apresentou a menor severidade da doença, seguido de TM, TM+1-MCP, TM+GA e TM+GRAD, que também reduziram significativamente os sintomas em comparação ao controle. TM e 1-MCP induziram maior atividade da enzima CAT, enquanto a POX foi mais expressiva no tratamento TM. A menor concentração de H₂O₂ foi observada no tratamento com GRAD, seguido de 1-MCP, TM e TM+1-MCP, sugerindo correlação entre menor acúmulo desse metabólito e maior resistência à infecção. A combinação TM+1-MCP se destacou pela maior firmeza dos frutos (20,31 N), superando os demais tratamentos, indicando um efeito sinérgico na conservação pós-colheita. Não houve diferença significativa no teor de sólidos solúveis (°Brix), enquanto o pH variou entre os tratamentos, sendo maior em CTL, GA, TM+GA e TM+GRAD. A termoterapia aliada ao 1-MCP foi eficaz no controle da podridão peduncular em melões Gália, reduzindo a severidade da doença e preservando a qualidade do fruto. Essa combinação induziu respostas antioxidantes que contribuiram para maior resistência ao patógeno, representando uma alternativa viável e sustentável aos métodos convencionais de controle.