Efeitos da exposição pré-gestacional e gestacional da Lepidium meyenii em ratas Wistar.
Ana Júlia Tôrres Martins Bezerra
UFERSA
Camila Ewinny Costa Dunga
Lícia Grabrielle Gomes De Oliveira
Emanuela Rafaelly Rocha Alves
Cibele Dos Santos Borges
Palavras-chave: Gestação, Maca peruana preta, Toxicologia reprodutiva
Resumo
O aumento da busca por terapias naturais para auxiliar a fertilidade e o desempenho reprodutivo tem impulsionado o interesse científico por espécies vegetais com potencial modulador hormonal, entre elas a Lepidium meyenii, popularmente conhecida como maca peruana preta, pertencente à família Brassicaceae, amplamente utilizada devido à sua associação com melhorias na libido, energia e saúde reprodutiva (Rowland e Tempel, 163-175, Current Sexual Health Reports, 2016). Nesse contexto, torna-se essencial avaliar os possíveis efeitos toxicológicos e teratogênicos dessa planta durante a gestação, uma vez que a exposição a compostos bioativos nesse período pode comprometer o desenvolvimento embriofetal. Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da maca peruana preta (Lepidium meyenii) sobre ratas Wistar expostas durante o período pré-gestacional e gestacional, bem como analisar potenciais efeitos teratogênicos sobre sua prole. O estudo foi aprovado pelo CEUA/UFERSA sob Parecer 07/2024. Para a realização do experimento, ratas adultas da linhagem Wistar foram submetidas à administração oral diária do extrato de Lepidium meyenii na dose de 1g/kg/dia, durante 15 dias pré-gestacionais e ao longo de todo o período gestacional (36 dias), enquanto o grupo controle recebeu apenas solução salina. Após confirmação da prenhez por citologia vaginal e determinação do dia gestacional zero, as fêmeas foram mantidas em condições controladas de temperatura, luminosidade e acesso à água e ração ad libitum. No 20° dia gestacional, as ratas foram eutanasiadas para avaliação de parâmetros toxicológicos maternos, incluindo peso final e ganho de peso corporal, além do peso absoluto de órgãos vitais (coração, pulmões, fígado, rins, cérebro, hipófise, tireoide e adrenais) e reprodutivos (ovários, útero gravídico e glândulas mamárias). A análise teratogênica foi realizada por meio da avaliação externa dos fetos, seguida de análise visceral utilizando o método de Seegmiller et al. (421-434, Methods in Molecular Biology, 2019) e avaliação esquelética segundo o protocolo de Aliverti (1979), com coloração por Alizarina. Os dados foram expressos como média ± erro padrão da média e analisados por meio do teste T de Student, considerando-se significância estatística para p ≤ 0,05. Os dados foram expressos considerando o grupo controle e Maca peruana, respectivamente. Os resultados indicaram ausência de diferenças significativas no peso corporal final (276,40+12,93g x 267,60+5,75g), e pesos absolutos dos órgãos vitais e reprodutivos, em destaque o útero gravídico (59,25+1,82g x 61,20+3,70g). Além disso, não foram observadas malformações esqueléticas ou viscerais fetais, e o peso fetal (3,54+0,11g x 4,00+0,40g), peso placentário (0,43+0,01g x 0,44+0,01g) e número de fetos (11,80+0,37 x 11,40+1,21) permaneceram dentro dos padrões fisiológicos. Conclui-se que, nas condições e dose avaliadas, a maca peruana preta não apresentou efeitos adversos relevantes sobre a gestação ou desenvolvimento embriofetal em ratas Wistar.