Seleção de bactérias do solo e uso na biodegradação de atrazina

Maycon Luiz Fernandes Silva

UFERSA

Jarlan Lucas dos Santos Silva

UFERSA

Ana Paula Moura

UFERSA

Juliano da Costa Fernandes

UFERSA

Márcia Michelle de Queiroz Ambrósio

UFERSA

Palavras-chave: Bioprospecção, Biorremediação, Herbicidas, Contaminantes


Resumo

O herbicida atrazina, ao atingir camadas mais profundas do solo ou o lençol freático, representa um risco significativo ao ecossistema e à saúde humana. Nesse sentido, a biorremediação, que utiliza organismos vivos para degradar contaminantes em moléculas menos perigosas, apresenta-se como uma alternativa promissora. Nesse contexto, o objetivo foi caracterizar bactérias de solos agrícolas do semiárido brasileiro, com potencial para biorremediação de solos contaminados com atrazina. Colônias bacterianas foram isoladas a partir de amostras de solo com histórico de aplicação de atrazina, através da técnica de diluição seriada e plaqueamento em meio de cultura Nutriente Ágar (NA). Os isolados obtidos foram transferidos para placas contendo NA suplementadas com 1000 ppm de atrazina comercial, e os isolados tolerantes foram caracterizados de acordo com seus caracteres morfológicos e bioquímicos, sendo posteriormente utilizados no ensaio in vitro. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, composto por 18 tratamentos (17 bactérias e um controle sem bactéria) e três repetições. Os isolados bacterianos foram transferidos para Erlenmeyers contendo caldo nutriente suplementado com 50 ppm de atrazina, e os frascos foram dispostos em estufa do tipo BOD a 28 ± 2 °C.  A concentração de atrazina no meio foi monitorada durante 10 dias (1, 2, 4, 6, 8 e 10 dias) através de um sistema de cromatografia líquida de ultraeficiência (UHPLC). A partir da concentração obtida, calculou-se a porcentagem de herbicida degradado pelas bactérias ao final do experimento (décimo dia). Os dados obtidos foram submetidos à análise de normalidade (Shapiro-Wilk, p ≤ 0,05) e à ANOVA (p ≤ 0,05), e as médias de cada tratamento foram comparadas entre si pelo teste de Scott-Knott (p ≤ 0,05). Do total de bactérias isoladas (75), apenas 17 bactérias foram tolerantes à presença do herbicida. Dentre estas, observaram-se caracteres semelhantes a bactérias pertencentes aos gêneros Pseudomonas (bacilos móveis, Gram-negativos e produtores de pigmentos fluorescentes) e Bacillus (bacilos Gram-positivos, produtores de endósporo). No décimo dia, os isolados HDU05, BRS04, BRS05 e ABJ06 destacaram-se como os mais eficientes pois degradaram maiores quantidade do herbicida. A porcentagem de degradação de atrazina no 10º dia em relação ao controle foi de 50,31, 52,36, 55,47 e 52,42% para os isolados HDU05, BRS04, BRS05 e ABJ06, respectivamente. Os resultados obtidos indicam que os isolados apresentam potencial relevante para biorremediação de ambientes contaminados com atrazina.