Estudo do estadiamento, prognóstico e expectativa de vida de caninos diagnosticados com neoplasia no setor de diagnóstico por imagem
Maria Luiza Pinto Frota
UFERSA
João Marcelo Azevedo de Paula Antunes
Beatriz Rodrigues Cruz
Letícia Cely Vieira de Medeiros
Palavras-chave: Oncologia, radiografia torácica, epidemiologia veterinária, ectodémica
Resumo
O presente estudo analisou dados de 96 cães atendidos no Hospital veterinário HOVET – UFERSA, apresentando histórico de neoplasia, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2022, com o objetivo de compreender o perfil epidemiológico dessas afecções no hospital, com o auxílio do diagnóstico por imagem, buscando compreender os principais fatores associados à ocorrência, evolução e sobrevida dos animais acometidos. Foram utilizados prontuários clínicos disponibilizados na plataforma SimplesVet®, dos quais foram registrados as variáveis como sexo, idade, raça, peso, histórico de castração, origem e localização anatômica do tumor, apresentação clínica, comportamento citológico e biológico, presença de metástases pulmonares e em outros órgãos, uso de anticoncepcionais, ocorrência de recidiva e tempo de sobrevida. Com base nesses dados foi tabelado os parâmetros dos animais amostrados conforme classificações adaptadas de Owen (TNM - classificação de tumores em animais domésticos) permitindo o estabelecimento de um padrão de ocorrência de neoplasias. Dentre os dados analisados foi compreendido um número maior de fêmeas acometidas com neoplasias (66,6%), bem como foi observado um maior número de animais sem raça definida (54,16%), podendo ter relação com a maior incidência de atendimento de cães dessa raça no hospital. A idade média dos animais foi de 11 anos, com peso médio de 14 kg. No que se refere ao histórico reprodutivo, verificou-se que 52% dos cães não haviam sido castrados previamente. Quanto a origem neoplásica, foi identificada maior prevalência de tumores de origem ectodérmica (66,66%), assim como foi observado que a glândula mamária foi o sítio mais acometido (52,08%). No que tange à classificação macroscópica das lesões, a maioria apresentou-se como massas sólidas bem delimitadas (64,58%), justificando a análise citológica, que revelou predomínio de tumores malignos (90,62%), sendo o adenocarcinoma mamário (31,25%) e o carcinoma mamário (16,66%) os mais frequentes, seguidos por mastocitoma, hemangiossarcoma e linfoma. Em relação a avaliação dos linfonodos regionais foi demonstrado que 52,08% apresentavam alterações reativas parciais. No que diz respeito a presença de metástase pulmonar, foi elucidado através de radiografias torácicas, que 14,58% dos animais apresentaram evidências de disseminação, enquanto 80,20% não demonstraram alterações. Já a disseminação metastática para outros órgãos foi observada, através de avaliações ultrassonográficas, que em 29,6% dos casos ocorreram no baço. A atribuição do prognóstico clínico indicou que a maioria dos animais foi classificada como de prognóstico reservado (52,08%) e, no tocante à recidiva tumoral, verificou-se ausência em 66,66% dos casos. O uso prévio de anticoncepcionais foi identificado em 7,29% dos animais, enquanto 64% nunca haviam sido submetidos a esse tipo de fármaco. E, por fim, a análise do tempo de sobrevida revelou ampla variação sendo uma maior concentração (17,7%) cães que sobreviveram pelo menos 1 ano após o reconhecimento neoplásico. O diagnóstico por imagem, aliado ao estudo epidemiológico, mostrou-se fundamental para identificar padrões de ocorrência, estadiar lesões e detectar metástases em cães com neoplasias. Essa integração aprimora o entendimento da distribuição dos tumores, orienta decisões terapêuticas e contribui para um manejo clínico mais preciso e eficaz na oncologia veterinária.