Prática da fitoterapia por profissionais prescritores da Atenção Primária à Saúde em Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil
João Gabriel dos Santos Oliveira
UFERSA
Clara Myrla Wanderly Santos Abreu
Francisco Vitor Aires Nunes
Teresinha Silva de Brito
Palavras-chave: Plantas medicinais, Fitoterápicos, Atenção Primária à Saúde, Profissionais prescritores
Resumo
Introdução:O Ministério da Saúde do Brasil reconhece o uso de plantas medicinais e fitoterápicos como estratégia complementar na prevenção e tratamento de doenças, bem como sua ampla aceitação pela população. Contudo, apesar dos avanços nas políticas públicas na área da fitoterapia, a prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos por profissionais de saúde no Brasil ainda enfrenta importantes desafios. Objetivo: Avaliar o perfil de prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos por profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de Mossoró/RN, Brasil. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional de caráter descritivo, com corte transversal e abordagem quantitativa e correlacional. A coleta de dados somente foi iniciada após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (CEP-UERN), credenciado ao Sistema CEP/CONEP com o parecer consubstanciado nº 6.325.532. Os dados foram coletados através da aplicação de questionários semiestruturados a 117 profissionais atuantes na APS do município. Resultados: Participaram do presente estudo, 42 (35,9%) profissionais médicos, 36 (30,7%) enfermeiros, 35 (29,9%) odontólogos e 4 (3,4%) nutricionistas. Verificou-se que 23% dos profissionais relataram prescrever preparações caseiras de plantas medicinais, totalizando 30 espécies, principalmente Matricaria chamomilla (camomila, 40,7%), Mentha spp. (hortelã, 29,6%), Cymbopogon citratus (capim-santo, 25,9%), Plectranthus amboinicus (malvarisco, 18,5%) e Lippia alba/Melissa officinalis (cidreira, 18,5%). Quanto à prescrição de produtos fitoterápicos, industrializados ou manipulados, 35,9% dos profissionais afirmaram prescrever, totalizando 33 espécies, com destaque para Passiflora incarnata (maracujá; 54,7%), Mikania glomerata (guaco; 45,2%), Valeriana officinalis (valeriana, 23,8%), Glycine max (soja; 21,4%) e Curcuma longa (cúrcuma; 11,9%). O perfil de prescrição variou entre as categorias profissionais: os odontólogos foram os que menos prescrevem, enquanto os médicos foram os principais prescritores de plantas medicinais e fitoterápicos. As indicações mais frequentes foram para doenças do sistema respiratório, trato digestório e transtornos mentais e comportamentais. Dentre as espécies medicinais prescritas na forma de preparação caseira ou de produto fitoterápico, a maioria das espécies está incluídas no Formulário de Fitoterápicos e/ou no Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira. Além disso, entre os fitoterápicos mais prescritos pelos profissionais, seis estão presentes na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais. Conclusão: A prescrição de plantas medicinais e/ou fitoterápicos desempenha papel importante no tratamento e prevenção de doenças na APS de Mossoró/RN. A maioria das espécies medicinais prescritas está descrita em compêndios oficiais, documentos que orientam a prescrição tanto de preparações caseiras de plantas medicinais como de produtos fitoterápicos, entretanto, a maior prescrição é a do fitoterápico, e os profissionais médicos são os principais prescritores.