Perfil hematológico de equinos com síndrome cólica e seu valor prognóstico

Valesca Marques Melo

UFERSA

Marcielle Michelle Moreira Menezes

Pedro Henrique da Silva Fidelis

Paulo Victor de Paiva Diaz

Michelly Fernandes de Macedo

Palavras-chave: Equídeos, Eritrograma, Leucograma


Resumo

Historicamente utilizados no transporte e em atividades laborais, os equídeos passaram a desempenhar funções comerciais e recreativas, contribuindo para a economia. Suas particularidades anatômicas e de manejo os tornam suscetíveis a distúrbios digestórios, destacando-se a cólica equina como uma das principais causas de morbidade e mortalidade. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são determinantes para um prognóstico favorável. A avaliação hematológica constitui ferramenta importante na prática clínica, auxiliando na caracterização do quadro e na previsão do desfecho. Objetivou-se neste estudo analisar o perfil hematológico de equinos com síndrome cólica, avaliando seu potencial valor prognóstico. Foram avaliados 25 equinos atendidos no Hospital Veterinário da UFERSA, em Mossoró-RN, conforme parecer nº 19/2024 aprovado pela CEUA/UFERSA. As amostras sanguíneas foram coletadas por venopunção jugular em tubos com EDTA e submetidas a análises laboratoriais. Os dados foram analisados no programa SAS (versão 9.3), aplicando-se testes de normalidade e métodos de comparação, com nível de significância de 5%. Dos 25 equinos avaliados com síndrome cólica, 13 (52%) sobreviveram e 12 (48%) faleceram, evidenciando alta morbimortalidade associada a quadros graves. A análise global revelou ampla variação nos parâmetros eritrocitários, com médias dentro dos limites esperados para a espécie, indicando estabilidade relativa na série vermelha, apesar da heterogeneidade individual. No leucograma, observou-se diversidade nas contagens totais de leucócitos e em suas subpopulações, incluindo bastonetes, neutrófilos segmentados, linfócitos, monócitos e eosinófilos. Enquanto a maioria manteve proporções típicas de neutrófilos segmentados e linfócitos, alguns apresentaram aumento de formas imaturas, refletindo respostas inflamatórias agudas diferenciadas entre os indivíduos. Na comparação entre os grupos, os equinos que faleceram apresentaram médias mais elevadas de hemácias (9,55 milhões/µL) e hemoglobina (14,42 g/dL) em relação aos sobreviventes (7,71 milhões/µL e 11,91 g/dL), acompanhadas de tendência para hematócrito mais alto (41,83% em relação a 34,38%, p = 0,092), sugerindo hemoconcentração possivelmente relacionada à desidratação, alterações hemodinâmicas ou estresse fisiológico. Índices hematimétricos (VCM e CHCM) e proteína plasmática total permaneceram estáveis, indicando ausência de alterações significativas na série vermelha ou no volume plasmático. As contagens totais de leucócitos e de neutrófilos segmentados não diferiram entre os grupos, enquanto a presença de bastonetes foi significativamente maior nos animais que faleceram, corroborando sua associação com pior prognóstico. Linfócitos, monócitos e eosinófilos permaneceram estáveis, sugerindo que a ativação diferencial da resposta imune adaptativa e mononuclear não se manifesta de forma relevante na fase aguda. Esses achados reforçam que, em processos inflamatórios agudos, as alterações predominam na série neutrofílica, sendo as demais linhagens menos impactadas. Conclui-se que a avaliação hematológica se mostra ferramenta essencial na abordagem de equinos com síndrome cólica, permitindo a detecção precoce de quadros graves e subsidiando decisões clínicas e terapêuticas. A interpretação cuidadosa das populações celulares, especialmente a presença de formas imaturas, fornece informações relevantes sobre a intensidade da resposta inflamatória e o prognóstico, contribuindo para a melhora da assistência e do bem-estar desses animais.