AVALIAÇÃO DOS EFEITO SEDATIVOS E CARDIORRESPIRATÓRIOS DA DEXMEDETOMIDINA ASSOCIADA OU NÃO A METADONA EM JUMENTOS NORDESTINOS (Equus asinus)
Samuel Barbosa Macedo
UFERSA
Glícia Cavalcante Mesquita
UFERSA
Yanna Deisi Bandeira Passos
UFERSA
José Felipe Napoleão Santos
UFERSA
Valéria Veras de Paula
UFERSA
Palavras-chave: Asininos, agonistas-α2, Opioide, Sedação
Resumo
Os asininos (Equus asinus) são domesticados há milênios e ainda são importantes na agricultura e no transporte em regiões áridas e semiáridas sob condições desafiadoras. Contudo, falta informações sobre o comportamento dos fármacos nessa espécie, sendo comum extrapolar dados de equinos. Entretanto, estes possuem características farmacológicas e fisiológicas distintas. A dexmedetomidina, agonista α₂-adrenérgico altamente seletivo (α₂:α₁ = 1620:1), é amplamente utilizada para sedação e analgesia, podendo causar efeitos adversos cardiovasculares. Sua associação com opioides, como a metadona — agonista µ sintético e antagonista dos receptores N-metil-D-aspartato — pode potencializar os efeitos sedativos e analgésicos, reduzindo a dose necessária e os riscos hemodinâmicos. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos sedativos e cardiorrespiratórios da dexmedetomidina isolada ou associada à metadona em jumentos da raça nordestina. O estudo foi aprovado pela CEUA-UFERSA (parecer nº 05/2025). Utilizaram-se cinco adultos (média 6,6 ± 2,97), machos e clinicamente saudáveis. Os animais distribuíram-se em dois grupos experimentais em delineamento crossover: DEX (5 µg/kg de dexmedetomidina) e DEX-MET (5 µg/kg de dexmedetomidina + 0,15 mg/kg de metadona), ambos por via intravenosa, com intervalo de 15 dias entre tratamentos. Avaliaram os parâmetros: frequência cardíaca, respiratória, temperatura retal, glicemia, pressão arterial sistólica, diastólica e média, tempo de preenchimento capilar e motilidade intestinal. A intensidade de sedação foi avaliada conforme uma escala previamente validada (Marly et al., Veterinary Anaesthesia and Analgesia, 41:491-7, 2014), que atribui pontuação de 0 a 11 com base na posição e altura da cabeça em relação ao solo, atitude, estabilidade, e movimentação dos olhos e orelhas. Animais com escore acima de 3 são considerados suficientemente sedados, e acima de 7, profundamente sedados. Os dados foram analisados no programa SAS v9, utilizando modelos mistos para medidas repetidas e testes de Friedman e Wilcoxon, com nível de significância de 5%. Observou-se que a frequência cardíaca e respiratória permaneceu estável em ambos os grupos. A temperatura retal reduziu-se de forma mais pronunciada no grupo DEX-MET entre 30 e 60 minutos. A glicemia elevou-se significativamente no grupo DEX entre 20 e 60 minutos, efeito atenuado pela associação à metadona. Ambos os protocolos promoveram reduções discretas e transitórias da pressão arterial, mais evidentes no grupo DEX, sem comprometimento da perfusão periférica. A motilidade intestinal foi reduzida em ambos os tratamentos, sendo a hipomotilidade mais acentuada e duradoura no grupo DEX-MET, demonstrando o potencial depressor gastrointestinal da combinação. O escore de sedação aumentou rapidamente após a aplicação, com picos em 20–30 minutos e duração de até 45 minutos no grupo DEX e 60 minutos no grupo DEX-MET, caracterizando efeito mais prolongado e profundo da associação. Reações leves, como espirros e prurido nasolabial, ocorreram em ambos os protocolos, além de relaxamento peniano transitório, efeitos condizentes com a farmacodinâmica dos agonistas α₂-adrenérgicos. Conclui-se que a dexmedetomidina é um sedativo eficaz e seguro para jumentos da raça nordestina, promovendo estabilidade cardiorrespiratória e sedação adequada. Sua associação à metadona potencializa o efeito sedativo e prolonga sua duração. Assim, o protocolo combinado mostra-se uma alternativa vantajosa para procedimentos de maior duração ou que demandem analgesia adicional.