ODS Sustentabilidade como elemento cultural entre a lógica econômica e a cosmovisão popular da agricultura familiar

ERIKA EKAYNE ALMEIDA MAIA

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO

Valdemar Siqueira Filho

Palavras-chave: Agricultura familiar, mestiçagem, barroco, Categorias, estudos acadêmicos


Resumo

A agricultura familiar (AF) no Brasil desenvolveu-se a partir da incorporação e transformação contínua de diversos conjuntos de práticas e conhecimentos. O caráter mestiço da cultura e das práticas produtivas no país exige um olhar mais atento à diversidade e à resiliência desses modos de vida. Este trabalho, de caráter bibliográfico e qualitativo, buscou construir categorias de análise capazes de ampliar a compreensão da agricultura familiar no Brasil. A pesquisa parte do entendimento de que, frequentemente, os estudos acadêmicos dedicados ao tema se apoiam em modelos teóricos de base racional europeia, que reduzem a Agricultura Familiar a dimensões econômicas e produtivistas, deixando em segundo plano seus aspectos culturais, comunitários e identitários. Para enfrentar essa limitação, a investigação tomou como referência a epistemologia proposta por Pinheiro (2010) (Pinheiro, REPERTÓRIO, 14:9–12, 2010), cuja obra valoriza a mestiçagem e o barroco como fundamentos interpretativos da realidade latino-americana. A metodologia seguiu um percurso bibliográfico e exploratório, centrado na análise de textos acadêmicos e no diálogo com os conceitos de Pinheiro. A partir desse processo, foram elaboradas duas categorias de análise “Epistemologia e Mestiçagem” e “Barroco Cognitivo” concebidas como instrumentos para interpretar a Agricultura Familiar em sua multiplicidade de sentidos, práticas e cosmovisões. A pesquisa alcançou seu objetivo ao propor duas categorias de análise inspiradas na epistemologia de Pinheiro (2010), capazes de oferecer novos caminhos interpretativos para os estudos sobre a AF, a fim de auxiliar os novos estudos a ampliarem seu potencial de compreensão acerca das dinâmicas culturais, sociais e laborais deste grupo social. Conclui-se, assim, que a valorização dessas perspectivas e a utilização das categorias como ferramentas interpretativas para esta realidade e cosmovisão, é essencial para a formulação de pesquisas mais sensíveis à complexidade da realidade da AF brasileira.