COMPORTAMENTO DE GROOMING E TAXA DE INFESTAÇÃO POR Varroa destructor COMO FORMA DE RESISTÊNCIA DAS COLÔNIAS AO ECTOPARASITA NO SEMIÁRIDO

Victor Hugo Camargo de Oliveira

UFERSA

Tasyely Daylhany Freire Lima

Ewerton Figueiredo De Lima

Katia Peres Gramacho

Palavras-chave: resistência comportamental; Apis mellifera; Varroa destructor; comportamento higiênico; semiárido; melhoramento genético.


Resumo

As abelhas (Apis mellifera L.) são polinizadoras fundamentais para ecossistemas naturais e agrícolas, responsáveis por cerca de um terço da produção mundial de alimentos. No entanto, colônias vêm sofrendo declínio devido à ação de patógenos, pesticidas, perda de habitat e, especialmente, pelo ácaro Varroa destructor, considerado o principal ectoparasita das abelhas. Este ácaro alimenta-se da hemolinfa e dos tecidos gordurosos das abelhas, preferindo crias de zangões, o que compromete a sobrevivência e produtividade das colônias. Entre os mecanismos naturais de defesa, destaca-se o comportamento higiênico e o comportamento de de grooming (auto e alogrooming), no qual as abelhas detectam crias mortas e removem ácaros de seus corpos ou de companheiras por meio de movimentos vibracionais e uso das mandíbulas e patas, resultando na mutilação ou morte do parasita. O presente estudo teve como objetivo avaliar a relação entre o comportamento de grooming e a taxa de infestação por Varroa destructor (TI) em colônias de abelhas africanizadas mantidas no semiárido potiguar, visando identificar colônias naturalmente resistentes que possam integrar futuros programas de melhoramento genético e manejo sustentável do parasita. O experimento foi conduzido na Fazenda Experimental Rafael Fernandes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em Mossoró/RN, entre março e agosto de 2025, envolvendo nove colônias de Apis mellifera africanizadas. Para quantificar o comportamento de grooming, foram instaladas mensalmente placas cobertas por vaselina no fundo das colmeias por 24 horas, nas quais foram contabilizados os ácaros caídos e danificados, observados sob lupa estereoscópica. A TI foi determinada pela coleta de cerca de 300 abelhas adultas por colônia, lavadas em álcool a 70% para desprendimento e contagem dos ácaros, aplicando-se posteriormente a TI = (número de ácaros/número de abelhas) × 100. Os dados de grooming e infestação foram comparados por meio de análise de correlação de Spearman para verificar a relação entre o percentual de ácaros danificados e o nível de infestação por colônia. Os resultados mostraram uma correlação negativa moderada e significativa (r = –0,37; p < 0,05) entre a atividade de grooming e o nível de infestação, indicando que colônias mais higiênicas apresentaram menores taxas de parasitismo. A infestação média observada foi de 2,18% ± 3,82, enquanto a eficiência média de grooming atingiu 78,6% ± 32,5. Colmeias que mantiveram altos níveis de grooming (>80%) durante o período seco apresentaram maior resiliência e menores infestações (<3%), mesmo sob condições de estresse ambiental. Conclui-se que o grooming constitui um mecanismo de resistência comportamental efetivo contra Varroa destructor, sendo promissor como critério de seleção em programas de melhoramento genético de abelhas africanizadas adaptadas ao semiárido. A adoção dessa característica pode contribuir para o manejo integrado do parasita, reduzindo o uso de acaricidas e promovendo sistemas apícolas mais sustentáveis e resilientes.