EFEITO DA OSSEOINTEGRAÇÃO DE IMPLANTES TRATADOS COM PLASMA ATMOSFÉRICO A FRIO NO TECIDO PERI-IMPLANTAR EM RATOS

Giulia Elisa Costa Guimarães

UFERSA

Kalyne Danielly Silva de Oliveira

Jussier de Oliveira Vitoriano

Clodomiro Alves Júnior

Carlos Eduardo Bezerra de Moura

Palavras-chave: Plasma não térmico, Implantes, Cicatrização, biocompatibilidade, biomateriais


Resumo

Os implantes de titânio, embora biocompatíveis e resistentes, sofrem envelhecimento biológico, o que compromete a adesão celular e a regeneração tecidual. O plasma atmosférico a frio (CAP), gerado por descarga elétrica em atmosfera controlada, surge como alternativa para reverter esse processo, tornando as superfícies mais hidrofílicas e bioativas. Em contraste com fontes de plasma de alta energia, o CAP atua em temperatura ambiente e sem necessidade de vácuo, sendo prático e seguro para aplicações biomédicas. Sua aplicação pode melhorar a integração entre implante e tecidos, especialmente na área peri-implantar, onde se concentram os principais eventos celulares iniciais de cicatrização. O objetivo deste estudo foi avaliar se o tratamento com CAP influencia a cicatrização do tecido muscular peri-implantar, comparando implantes de titânio tratados e não tratados quanto à organização e proporção dos tecidos muscular e conjuntivo. Para isso, foram confeccionados 14 implantes de liga Ti6Al4V, divididos igualmente entre grupos controle e tratado. Os implantes tratados foram submetidos ao CAP por 30 minutos utilizando argônio como gás de trabalho sob superfície aquecida a 200 °C. Em sete ratos Wistar adultos, os implantes foram inseridos cirurgicamente nas tíbias direita e esquerda, sendo um tratado e um controle por osso. Após 30 dias, os animais foram eutanasiados, e amostras do músculo gastrocnêmio foram processadas e coradas em HE, analisando-se secções histológicas semi-seriadas para estimar a densidade de volume (Vv) de tecido muscular e conjuntivo. A Vv muscular foi de 59,85% ± 9,42 para o grupo tratado e 63,69% ± 8,51 para o controle, enquanto a Vv de tecido conjuntivo foi de 40,08% ± 9,42 e 36,21% ± 8,50 para tratado e controle, respectivamente, sem diferenças significativas entre grupos (p > 0,05). No entanto, ao comparar a Vv muscular e conjuntiva dentro de cada grupo, a análise pelo teste de Kruskal–Wallis revelou diferença significativa (p = 0,0003). O pós-teste de Dunn indicou que no grupo controle a Vv muscular foi significativamente maior que a conjuntiva (p < 0,01), enquanto no grupo tratado não houve diferença entre os tipos teciduais (p > 0,05). Essa menor discrepância estrutural no grupo tratado sugere uma modulação tecidual promovida pelo CAP. Esses achados indicam que o CAP não altera diretamente a densidade muscular ou conjuntiva após 30 dias, mas pode atuar na organização e equilíbrio da resposta dos tecidos moles, reduzindo o contraste entre tecido muscular e conjuntivo observado no controle. Dessa forma, o CAP pode representar um recurso regulador da cicatrização peri-implantar, destacando a importância de incluir a análise dos tecidos moles em estudos de implantes. Investigações futuras com tempos de reparo mais prolongados e avaliação de outros marcadores inflamatórios e regenerativos são essenciais para elucidar os mecanismos crônicos de remodelação tecidual induzidos pelo plasma.