Riscos operacionais e riscos financeiros no processo decisório das organizações

uma aplicação do método de coleta de feedback baseado em nuvens perceptuais de palavras

Evelyn Gabriele da Silva Bezerra

UFERSA

Carlos Henrique Almeida da Silva

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Liana Holanda Nepomuceno Nobre

Universidade Federal Rural do Semi-Árido

Palavras-chave: Risco Operacionais, Riscos financeiros, Percepção de risco, Processo decisório, Indústria Alimentícia


Resumo

O estudo teve como objetivo investigar como gestores de empresas do setor alimentício de Mossoró-RN percebem e lidam com riscos operacionais e financeiros no processo decisório. Esses dois tipos de risco foram escolhidos por sua influência direta na sustentabilidade e no desempenho das organizações. A literatura em gestão de riscos destaca que toda decisão empresarial envolve incertezas capazes de gerar perdas. O risco operacional é aquele vinculado a falhas de processos, pessoas ou sistemas, comprometendo a produção e os serviços, especialmente relevantes no ramo alimentício, onde contaminações, falhas estruturais e más condições de trabalho afetam diretamente o produto final. Já os riscos financeiros resultam tanto de decisões internas quanto de fatores externos, como inadimplência de clientes e variações de custos, podendo comprometer a liquidez e o potencial de investimento. A percepção de risco, enquanto habilidade cognitiva e subjetiva, depende de fatores individuais e sociais e influencia a forma como gestores interpretam e respondem a ameaças organizacionais. Para compreender essa dinâmica, foi aplicada a técnica de coleta de feedback baseada em Nuvens Perceptuais de Palavras (NiN). A metodologia permite captar percepções de gestores do setor alimentício sobre riscos operacionais e financeiros. Os participantes organizaram palavras relacionadas a esses riscos conforme sua relevância e conexão com a realidade de suas empresas. Essa metodologia substitui escalas numéricas tradicionais e evidencia relações conceituais entre fatores de risco, proporcionando uma leitura mais intuitiva e sistêmica das percepções. A análise das nuvens perceptuais revelou dois agrupamentos principais. O primeiro, mais central e denso, correspondeu aos riscos operacionais — erros na produção, desperdícios de estoque, rotatividade e qualificação pessoal —, percebidos como os fatores mais críticos e de impacto direto sobre a eficiência e a reputação empresarial. O segundo agrupamento, mais periférico, reuniu os riscos financeiros — altas contas a pagar, folha de pagamento elevada, empréstimos em aberto e receita imprevisível —, fortemente conectados às falhas operacionais. O grafo da NiN mostrou, portanto, uma relação causal entre eficiência operacional e equilíbrio financeiro, revelando que a percepção de risco entre os gestores é predominantemente reativa, concentrando-se em consequências mais do que em prevenção. O perfil dos respondentes, majoritariamente de micro e pequenas empresas com gestores entre 26 e 45 anos, reforça uma visão prática e imediata das ameaças. Os resultados indicam que a clareza na identificação dos riscos operacionais e financeiros favorece decisões mais conscientes e preventivas. A NiN demonstrou ser um instrumento eficaz para revelar conexões cognitivas e emocionais que influenciam o processo decisório, destacando que falhas operacionais recorrentes tendem a gerar desequilíbrios financeiros significativos. Como implicações gerenciais, recomenda-se: (1) integração de indicadores operacionais e financeiros em sistemas de controle; (2) capacitação contínua de gestores para fortalecer a percepção preventiva; (3) internalização da cultura de gestão de risco como prática cotidiana; e (4) uso da NiN como ferramenta diagnóstica em processos de governança e planejamento estratégico. Conclui-se que a competitividade e a sustentabilidade das empresas alimentícias dependem diretamente da capacidade dos gestores de antecipar riscos interligados e transformar percepções em ações estratégicas consistentes.