Análise microbiológica da urina de gatos com afecções do trato urinário

Mila Luryan Gabriel Nascimento

Ufersa

Aline Almeida Nogueira

Nilza Dutra Alves

Francisco Marlons Carneiro Feijó

Caio Sérgio Santos

Palavras-chave: Trato urinário, Felino doméstico, Patógeno, Resistência


Resumo

O trato urinário constitui um sistema complexo, formado pelos rins, ureteres, bexiga urinária e uretra, estruturas que desempenham funções essenciais à manutenção da homeostase no organismo dos felinos. Sob uma perspectiva anatomofisiológica, qualquer alteração ou lesão em seus componentes pode comprometer a eficiência do sistema urinário, resultando em importantes repercussões para a saúde do animal. Entre os principais causadores de distúrbios estão as infecções bacterianas e clinicamente pode-se observar disúria, polaciúria, hematúria, periúria, oligúria, letargia, febre e vômitos, sendo de difícil tratamento. Desta forma a identificação dos micoorganismos envolvidos e a realização do antibiograma são procedimentos fundamentais para um diagnóstico definitivo, seguido da prescrição adequada e consequente recuperação desses pacientes. Diante desse panorama, o presente trabalho objetivou identificar os microorganismos de amostras urinárias de gatos com infecções do trato urinário. Para alcançar os objetivos, foram coletadas 12 amostra da urina por meio de cistocentese, em animais atendidos em Hospitais Veterinários parceiros e encaminhadas para o Laboratório de Microbiologia Veterinária da Ufersa (LAMIV). Para identificação foi realizado o cultivo em aerobiose utilizando Ágar MacConkey, Ágar Sangue, Brain Heart Infusion Agar (BHI) e Brain Heart Infusion (BHI) caldo e isolamento por meio de características fenotípicas como macroscopia, citologia e perfil bioquímico; para a quantificação das colônias bacterianas em Unidades Formadoras de Colônias por mL (UFC/mL) foram realizadas diluições seriadas em meio Plate Count Agar (PCA); para o antibiograma, as alíquotas bacterianas foram semeadas em meio Mueller Hinton Agar (MHA) sob filtros estéreis contendo antimicrobianos específicos a cada cepa, preconizados pelo Comitê Brasileiro de Testes de Sensibilidade (BrCAST). Como resultados, observou-se uma maior incidência de infecções urinárias em gatos machos, de idade de 2 a 5 aos, com peso médio de 3,5kg. Das 12 amostras, 7(58,33%) apresentaram crescimento bacteriano, sendo: 28,5% Escherichia coli, 14,3% Acinetobacter spp., 14,3% Staphylococcus spp., 14,3% Pseudomonas aeruginosa, 14,3% Klebsiella spp. e 14,3% Enterobacter spp. Em relação às provas quantitativas, obteve-se UFC ≥ 10⁴ nas amostras de Acinetobacter spp., Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella spp., enquanto o crescimento de colônias para as cepas de Staphylococcus spp. e de Enterobacter spp. foi de 10³ < UFC ≤ 10⁴. Quanto ao antibiograma, as bactérias Escherichia coli, Acinetobacter spp., Staphylococcus spp. e Pseudomonas aeruginosa apresentaram resistência a todos os antibióticos testados, enquanto a Klebsiella spp. foi sensível ao meropeném, já a Enterobacter spp. apresentou sensibilidade à amicacina e ao meropeném. Concluindo-se que os isolados identificados são patógenos de relevância clínica acentuada por sua resistência aos antimicrobianos comumente usados na clínica médica de pequenos animais e pelo seu potencial patogênico. Desse modo, ressalta-se a importância de diagnósticos sistematizados e mecanismos de prevenção e mitigação de disseminação dos microrganismos.