FATORES DE INFERTILIDADE E QUALIDADE ESPERMÁTICA DE HOMENS EM CONTATO COM TINTAS, SOLVENTES E AGROQUÍMICOS ATENDIDOS EM UM AMBULATÓRIO DE INFERTILIDADE EM MOSSORÓ - RN
Raissa Carolina Dantas Mesquita de Medeiros
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
https://orcid.org/0009-0007-0761-7408
Rebeca Paulina Duarte Queiroz
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Victor Gabriel Freire de Gouveia
Isadora Pereira Bandeira
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Gerlane Modesto da Silva Balzani
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Palavras-chave: Exposição Ocupacional, Infertilidade Masculina, Perfil de Saúde
Resumo
A infertilidade afeta um em cada seis casais no mundo, sendo o fator masculino responsável por 35% da causalidade (FEBRASGO, Tratado de Ginecologia, 2025). A exposição a agentes químicos é fator de risco para infertilidade masculina; essas substâncias são gonadotóxicos, afetando a produção e função dos espermatozóides (Giulioni et al., Andrologia, 53(11):e14215, 2022). O espermograma permite avaliar alterações seminais, sendo essencial na propedêutica do casal infértil (World Health Organization, WHO Laboratory Manual for the Examination and Processing of Human Semen, 2021). Este estudo observacional, transversal, descritivo e analítico registrou informações de pacientes do sexo masculino atendidos entre março de 2023 e março de 2025 em um Ambulatório de Infertilidade e Reprodução Humana do Sistema Único de Saúde (SUS). Foram coletados dados demográficos e clínicos em prontuários de 112 pacientes, dos quais 30 afirmaram exposição a tintas, solventes ou agroquímicos. A análise foi feita no programa IBM SPSS Statistics, com estatística descritiva e razão de probabilidades (RP) entre exposição aos químicos e alterações no espermograma, usando intervalo de confiança de 95% (IC95%). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 77290323.0.0000.5294, parecer: 6.814.556). Dentre os 112 pacientes, n = 30 (26,78%) referiram contato com tintas, solventes ou agroquímicos. O dado de raça/cor não foi encontrado em 23 prontuários; 4 homens (13,33%) se declararam pardos e 3 (10%) se declararam brancos. Os 30 pacientes eram provenientes de 16 municípios do estado. Em 2 prontuários não foi possível coletar a idade dos pacientes; os demais 28 pacientes tinham idades entre 20 e 51 anos, com média de 37,03 anos e mediana de 37 anos. 7 homens expostos apresentavam espermograma normal (23,33%), 7 apresentavam alterações espermáticas e 16 não possuíam resultados do espermograma (53,33%). Para a população do estudo, foi analisada a RP com o teste de qui-quadrado (χ²) para n = 43 pacientes que possuíam dados válidos. Nessa amostra, 14 indivíduos afirmaram exposição (7 tinham alterações seminais) e 29 negaram (8 tinham alterações seminais). A análise resultou em χ² = 2,088 e p = 0,148; portanto, o teste não rejeita a hipótese nula de ausência de associação. O χ² com correção de Yates permaneceu não significativo (χ² corrigido = 1,218; p = 0,270). A Razão de Verossimilhança foi de 2,048, com p = 0,152, também indicando ausência de associação. Na estimativa de risco, a RP para a exposição foi de 2,625 (IC95% = 0,696 – 9,895); pacientes com espermograma alterado apresentaram RP = 1,813 (IC95% = 0,824 – 3,989) e pacientes com espermograma normal apresentaram RP = 0,690 (IC95% = 0,390 – 1,221). A divergência entre tendência de risco e não-significância estatística indica poder amostral insuficiente, compatível com os dados incompletos nos prontuários. As limitações do estudo também incluem o delineamento transversal e o viés de seleção decorrente do perfil do serviço especializado. Esse estudo destaca a importância de investigar a exposição ambiental e ocupacional na anamnese dos casais e a necessidade de padronização dos registros clínicos.