Influência do tamanho corporal no comportamento defensivo de tanatose em uma rã no semiárido do Rio Grande do Norte
Larissa Ellen Rodrigues Pinto
UFERSA
Milena Wachlevski
Juliana Sousa Costa
Maria Eduarda Lima-Alves
Palavras-chave: Imobilidade tônica, adaptação comportamental, etologia, anfíbios.
Resumo
A tanatose ou imobilidade tônica (IT), é uma estratégia de defesa na qual animais vertebrados simulam a morte para escapar da predação. Embora a tanatose seja um comportamento antipredatório amplamente documentado em anfíbios anuros, os fatores morfométricos que influenciam a duração deste comportamento ainda não são bem compreendidos. A teoria prediz que indivíduos menores, podem permanecer em tanatose por mais tempo devido à maior vulnerabilidade e menor capacidade de fuga. Com isso, nós investigamos a relação entre o tamanho corporal e a duração da tanatose na rã Physalaemus albifrons, testando a hipótese de que indivíduos menores permaneceriam mais tempo em imobilidade tônica. Para isso, capturamos 23 indivíduos adultos em março de 2025, em lagoas temporárias presentes no Parque Ecológico da Caatinga, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Acondicionamos esses indivíduos em sacos plásticos individuais com ar, água e vegetação para transporte. Em laboratório, a IT foi induzida por uma mesma pesquisadora, através de um estímulo de contenção manual. O estímulo consistia em posicionar o indivíduo em decúbito ventral e aplicar uma leve pressão no ventre com o dedo indicador durante três segundos. Cada indivíduo foi testado uma única vez, com aprovação pela CEUA- UFERSA (Parecer 04/2025). Registramos a ocorrência e a duração da IT. Após os estímulos, medimos o comprimento rostro-cloacal, comprimento da perna com paquímetro (resolução 0,01 mm) e massa corporal em balança de precisão (resolução 0,001 g). Dos indivíduos testados, 83% exibiram o comportamento de tanatose, com a duração média de 53,6 ± 23,4 segundos. Das variáveis testadas, apenas a massa dos indivíduos esteve correlacionada positivamente com a duração da IT. Com isso refutamos a nossa hipótese inicial, pois os indivíduos com maior massa permaneceram mais tempo imóveis e o comprimento corporal não influenciou a duração do comportamento. Este resultado sugere, alternativamente, que indivíduos mais pesados podem ter uma capacidade de fuga mais lenta, e com isso, permanecer mais tempo ímóvel poderia ser uma estratégia para reduzir o risco de predação. Este estudo contribui para a compreensão de como o tamanho corporal pode influenciar as estratégias defensivas em anuros.