Avaliação dos parâmetros hematológicos decorrentes do uso intravenoso de tramadol em diferentes doses em cães (Canis familiaris)
Glícia Cavalcante Mesquita
UFERSA
Kathryn Nóbrega Arcoverde
UFERSA
Samuel Barbosa Macedo
Andressa Nunes Mouta
Valéria Veras de Paula
Palavras-chave: Opioides, Hemograma, Analgesia
Resumo
O controle da dor em animais é fundamental para o bem-estar e qualidade de vida, e o tramadol, analgésico de ação central classificado como opioide atípico, é amplamente utilizado na prática clínica veterinária com esta finalidade. Assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar as alterações hematológicas decorrentes da administração intravenosa de tramadol em cães (Canis familiaris). Este foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (CEUA-UFERSA, parecer 09/2024) e utilizou 10 cães, machos e fêmeas, em delineamento crossover, com intervalo de 15 dias entre os tratamentos, recebendo tramadol intravenoso nas doses de 2 mg/kg (G1) e 4 mg/kg (G2). Amostras sanguíneas de 0,5 mL foram colhidas da veia cefálica no momento basal (M0) e 48 horas após a administração (M48), para realização de hemograma, incluindo hematimetria, leucometria e plaquetograma. A contagem diferencial foi realizada em esfregaços corados com kit panótico rápido, observados em microscópio óptico. Quantificou-se hemoglobina pelo método da cianometa-hemoglobina e as hemácias foram contadas em câmara de Neubauer. Os índices hematimétricos de volume corpuscular médio (VCM) e concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) foram calculados a partir dos valores de hemácias, hemoglobina e hematócrito. A análise estatística foi conduzida no software JASP®, utilizando testes t pareado ou Wilcoxon (intra-grupo) e t independente ou Mann-Whitney (intergrupos), com nível de significância de 5% (p<0,05) e o tamanho do efeito foi estimado por Cohen’s d ou correlação de postos. Em G1 observou-se redução significativa na média ± desvio padrão entre M0 e M48, respectivamente para: hemoglobina (g/dL): 12,50 ± 3,27 e 10,60 ± 2,17; hematócrito (%): 39,10 ± 8,57 e 34,30 ± 6,18; VCM (fL): 66,00 ± 2,10 e 61,80 ± 4,04. A contagem de hemácias (×10⁶/µL) apresentou redução de 5,93 ± 1,24 para 5,54 ± 0,97, sem significância estatística. No grupo G2, não foram observadas alterações relevantes nos parâmetros hematológicos, bem como não houve diferença significativa em leucograma, plaquetas ou proteínas plasmáticas totais em ambos os grupos. Ocorreram diferenças estatísticas intra-grupo nos valores de CHCM (p=0,0006) em M0 e hemoglobina (p=0,0183), VCM (p=0,0111), CHCM (p=0,0093), neutrófilos segmentados (0,0061) e linfócitos (0,0064) em M48. Conclui-se que a administração intravenosa de tramadol induziu alterações discretas na série vermelha, principalmente na dose de 2 mg/kg, sem impacto clínico imediato. Recomenda-se cautela em pacientes com distúrbios hematológicos preexistentes, como anemia para não a acentuar.