PERFIL DE SUSCETIBILIDADE AOS ANTIMICROBIANOS DE ISOLADOS CLÍNICOS DE ENTEROBACTERALES EM UM HOSPITAL PÚBLICO NO RIO GRANDE DO NORTE

Lucas Gabriel Teodózio De Lucena

UFERSA

Caio Augusto Martins Aires

José Carlos De Andrade Vieira únior

Felipe Wilker Gomes Da Silva

Francisco Emerson De Freitas Cruz

Palavras-chave: Enterobacterales. Resistência antimicrobiana. IRAS.


Resumo

As infecções causadas por microrganismos da ordem Enterobacterales representam um desafio crescente na prática clínica, em especial no ambiente hospitalar, devido ao aumento da resistência antimicrobiana. Dessa forma, torna-se fundamental analisar a incidência e o perfil de resistência desses patógenos para subsidiar decisões terapêuticas e estratégias de controle de infecção. Objetivou-se avaliar o perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos em isolados de Enterobacterales provenientes de um hospital público no Rio Grande do Norte, no período de 2017 a 2023, identificando os principais gêneros bacterianos envolvidos, setores hospitalares mais afetados e tendências de resistência ao longo dos anos. Este é um estudo observacional, quantitativo e retrospectivo, realizado a partir de laudos de cultura e antibiograma do laboratório de microbiologia do hospital. Foram incluídas 3836 amostras positivas, das quais 1319 pertenciam à ordem Enterobacterales. Os dados coletados abrangeram gênero bacteriano, setor de procedência, tipo de amostra clínica e perfil de suscetibilidade a diversos antimicrobianos. A análise descritiva foi executada em planilhas de Excel e os resultados expressos em valores absolutos e percentuais. Observou-se predomínio de Klebsiella, Escherichia, Proteus e Enterobacter, com maior frequência de infecções na unidade de terapia intensiva (UTI) e em uroculturas. Houve índices elevados de resistência a ceftriaxona, ciprofloxacino e trimetoprima/sulfametoxazol. Embora o meropenem apresentasse menores taxas de resistência no período avaliado, verificou-se crescimento contínuo de isolados não sensíveis. Klebsiella evidenciou o perfil mais preocupante, incluindo resistência a carbapenêmicos e a novas combinações de beta-lactâmicos. O presente estudo demonstra um aumento de resistência nas espécies de Enterobacterales, principalmente, mas não somente, nos anos de pandemia da COVID-19. A resistência crescente não se limitou somente aos antibióticos de primeira linha, mas também aos de última opção, como é o caso do meropenem e polimixina B. Verificou-se, também, a maior constatação de infecções na UTI podendo estar relacionado principalmente ao elevado número de intervenções realizadas nesse setor.