A ANÁLISE DAS POSTURAS ADOTADOS NO PROCESSO DE EXTRAÇÃO DE PÓ DA CARNAÚBA

Pedro Henrique Loiola da Silva

ufersa

Pompeu Paes Guimaraes

ufersa

https://orcid.org/0000-0003-1614-1927

Palavras-chave: Estudo de tempos e movimentos, pó, cadeia produtiva


Resumo

A carnaúba (Copernicia prunifera (Mill.) H.E. Moore) é uma palmeira nativa do bioma Caatinga, de ampla importância econômica e social para o Nordeste brasileiro, especialmente por gerar produtos como fibra, pó e cera, amplamente utilizados nas indústrias de cosméticos, farmacêutica e alimentícia. No entanto, o processo de extração do pó da carnaúba ainda é realizado de forma tradicional, com uso intensivo de mão de obra e exposição a condições precárias de trabalho. Este estudo tem como objetivo analisar o processo produtivo da extração do pó de carnaúba, descrevendo as etapas do trabalho e avaliando as principais posturas 

adotadas pelos trabalhadores, a fim de propor melhorias ergonômicas e ambientais que favoreçam a sustentabilidade e a saúde ocupacional. A pesquisa foi desenvolvida em três municípios do Rio Grande do Norte (Apodi, Caraúbas e Felipe Guerra). Foram realizadas observações diretas, filmagens e aplicação de questionários, além da medição de ruído e conforto térmico. As análises posturais foram conduzidas utilizando os métodos OWAS, RULA e REBA, conforme indicado na literatura (Silva et al., Rev. Ergonomia Aplicada, 7:45-53, 2020). Os resultados demonstraram que atividades como as de vareiro e comboieiro exigem posturas inclinadas, elevação dos braços acima da linha dos ombros e esforço físico intenso, resultando em desconforto lombar em 80% dos trabalhadores. A função de comboieiro apresentou o maior tempo médio de execução (125,54 s), enquanto o espalhador apresentou o menor (2,15 s). Observou-se também níveis elevados de ruído no operador da trituradora, ultrapassando os limites recomendados pela legislação brasileira, e alta exposição ao calor nas etapas de trituração e embalagem. Conclui-se que a atividade de extração do pó da carnaúba requer intervenções ergonômicas urgentes, capacitação dos trabalhadores e adequação das condições ambientais. Essas medidas podem reduzir riscos ocupacionais e contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, promovendo ambientes de trabalho mais seguros, inclusivos e sustentáveis.