Avaliação na perspectiva da Documentação Pedagógica na Educação Infantil:

(des)encontros no contexto das práticas cotidianas

Jucilene Monteiro da Silva

Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)

Elaine Luciana Sobral Dantas

Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA

https://orcid.org/0000-0003-0331-8180

Milena Paula de Oliveira Cabral

Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA

https://orcid.org/0000-0001-7331-5175

Palavras-chave: Educação Infantil, Avaliação, Documentação pedagógica, Práticas Pedagógicas


Resumo

A Avaliação na Educação Infantil caracteriza-se como um processo de acompanhar o desenvolvimento das crianças em suas diferentes formas de ser e de aprender e envolve um movimento reflexivo de observação, acompanhamento e registro como estruturante do cotidiano educativo (Freire, M. 199; Micarello, 2010; Hoffmann, 2012). Pois, constitui-se também como avaliação da prática pedagógica e deve mobilizar o planejamento das experiências a serem oportunizadas às crianças em função de seus percursos de aprendizagem. Nessa perspectiva aproxima-se dos princípios da Documentação Pedagógica inspirada na abordagem de Reggio Emilia (Edwards, Gandini e Forman, 2016). Diante disso, indagamos: Como acontece e quais são os instrumentos de registro das práticas educativas? Como têm sido documentadas as aprendizagens e experiências das crianças? As crianças participam da construção desses registros? Definimos como objetivo central investigar como acontece a avaliação na perspectiva da documentação pedagógica nas práticas cotidianas de uma instituição de Educação Infantil. Dialogamos com Dantas (2016), Fochi (2018), (Edwards, Gandini e Forman, 2016), entre outros, para sistematizar e documentação pedagógica na Educação Infantil. Realizamos uma pesquisa de cunho qualitativa ancorada na abordagem sócio-histórica (Freitas, 2002; Vigotski, 2007; Bakhtin, 2003) com procedimentos metodológicos que envolveram sessões de observação participante em duas turmas de uma instituição pública da região central do Rio Grande do Norte. Na turma de creche I (crianças de 0 a 3 anos), observamos que os painéis expostos nas paredes, mostram o trabalho desenvolvido com atividades xerocopiadas, referente às datas comemorativas. Foi possível identificar, em uma das práticas desenvolvidas, que ao invés da educadora mediar o momento, determina previamente o que deve ser realizado, esse tipo de proposta torna a “criança carimbo”, pois não possibilita a sua expressão livre e restringe seu protagonismo. Observamos ainda, uma grande predominância de “varais” com atividades de desenhos pré-definidos e acabados. Na turma de pré-escola II (crianças de 4 a 5 anos e 11 meses), percebemos que o cenário se repete, visto que, na construção das atividades e na escolha da exposição às crianças, tinha pouca participação e autonomia. Percebemos, portanto, que o ato de registrar acontece no cotidiano da instituição investigada, entretanto, não se configura enquanto documentação pedagógica, pois não narram as experiências vividas pelas crianças e nem acompanham suas aprendizagens, na perspectiva de oportunizar um planejamento reflexivo de práticas cotidianas. Os murais expostos, embora apresentem registros, não carregam nenhuma contextualização que possibilite identificar o percurso dos conhecimentos construídos pelas crianças. Percebemos pouca autoria das turmas nos registros observados, bem como, não identificamos instrumentos de registro reflexivo das práticas pedagógicas. Concluímos que as ações de observação, acompanhamento e registro das aprendizagens das crianças e das práticas cotidianas na perspectiva da documentação pedagógica ainda são incipientes e apontamos que o nosso estudo contribui para o fortalecimento e a disseminação dos debates em torno da temática.


Biografia do Autor

Elaine Luciana Sobral Dantas, Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA

Pedagoga, Especialista em Educação Infantil, Mestre e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Professora Adjunta da Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA, Campus de Angicos, RN, Departamento de Ciências Humanas. Coordenadora do Curso de Licenciatura em Pedagogia. Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação - PPGEd - UFRN. Líder do Grupo de Pesquisa e Extensão em Educação da Infância, Cultura, Currículos e Linguagens - EDUCLIN (UFERSA/CNPQ). Membro do Grupo de Pesquisa Crianças, Infâncias, Cultura e Educação - CRIANCE (UFRN/CNPQ). Vice Coordenadora do Observatório da Educação Infantil do Rio Grande do Norte - ObservEI RN. Pesquisadora Orientadora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica - PIBIC/CNPQ - PICI-PIVIC/UFERSA. Membro do Fórum de Educação Infantil do Rio Grande do Norte - FEIRN, vinculado ao MIEIB. Coordenadora Geral do Programa de Formação Continuada em Alfabetização para Profissionais dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental - Pró-Alfa RN e Assessora Pedagógica do Programa de Desenvolvimento Profissional Leitura e Escrita na Educação Infantil - LEEI RN vinculados ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada - CNCA/MEC. Coordenadora do Laboratório de Cultura Lúdica, Diversidade e Linguagens. Coordenadora de projetos de ensino, pesquisa e extensão com produções bibliográficas nas seguintes áreas: Educação Infantil; Currículos; Práticas Pedagógicas; Alfabetização, Leitura e Escrita; Literatura Infantil; Psicologia Histórico-Cultural; Aprendizagem e Desenvolvimento da Criança; Brincadeira.

Milena Paula de Oliveira Cabral, Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA

Atua como Pedagoga da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA). Possui Doutorado e Mestrado em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (UFRN). Graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006). Especialização em Educação de Jovens e Adultos (2006). Tem experiência na área de Formação de Professores, com ênfase em Educação de crianças de 0 a 6 anos.