Estudo de Decomposição em fatores paralelos para análise de dados educacionais.

Lara Carla Freitas Rodrigues

UFERSA

Luiza Helena Félix de Andrade

UFERSA

Sílvio Roberto Fernandes

UFERSA

Palavras-chave: Educação, PARAFAC, Desigualdade


Resumo

Ao longo da história humana, diversas linhas de pensamento vêm sendo elaboradas para analisar a relação entre a educação e as desigualdades sociais. Ainda no século XX, Pierre Bourdieu defendia que o desempenho individual de cada estudante é profundamente afetado por sua realidade social, afirmação que foi comprovada pelo resultado de alguns relatórios do mesmo século, como o de Plowden e o de Coleman. Essa realidade não mudou com o passar dos anos, na verdade, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023 e o Programme for International Student Assessment (PISA) de 2022, no Brasil, os alunos mais pobres continuam tendo um desempenho inferior quando comparado aos mais ricos. Sabendo disso, é evidente que não é possível falar sobre o desenvolvimento da educação do país deixando de lado questões socioeconômicas. Contudo, existem diversas variáveis que compõem essa dimensão e, para elaborar um plano assertivo contra a descontinuação das desigualdades sociais e educacionais no país, é relevante ter conhecimento acerca de quais fatores são mais relevantes nesse contexto, por isso, o presente estudo tem como objetivo apontar quais questões socioeconômicas tiveram maior peso no desempenho dos estudantes brasileiros, no contexto do ensino médio, nos anos de 2022 e 2023. Para isso, analisaram-se as respostas do questionário socioeconômico e desempenho dos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) nos anos de selecionados. A escolha do ENEM se deu devido à sua ampla cobertura nacional, riqueza de detalhes e fácil acesso através do portal do Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Além disso, o período de análise adotado priorizou os anos mais recentes do exame (os dois últimos, disponíveis na época da pesquisa), a fim de garantir dados que refletissem o cenário atual. Após a aquisição dos dados, eles passaram por um tratamento que envolveu a exclusão dos participantes que não realizaram algum dia de prova ou estavam fazendo a prova somente por experiência, os “Treineiros”. Posteriormente, usando bibliotecas Python, foi calculada a média geral de cada ano, a qual foi usada para dividir os participantes no grupo de maior proficiência, com média igual ou superior à média geral, e de menor proficiência.. Os dados foram organizados na forma de um tensor de ordem 3 (alunos x questões x proficiência). Para identificar quais questões socioeconômicas mais relacionadas à proficiência dos grupos, foi aplicada a técnica de decomposição em fatores paralelos (PARAFAC), isso porque o método oferece uma solução única, sem perda de informações relevantes e uma sintetização do volume de informações do banco de dados de uma vez só. Os resultados indicaram que a renda familiar e a escolaridade de ambos os pais foram os que mais fizeram diferença no desempenho dos estudantes, dialogando com estudos clássicos e recentes, oferecendo evidências robustas e atuais que podem fundamentar a formulação de políticas públicas que ajudem a combater o processo da transmissão intergeracional da pobreza e da continuação das desigualdades sociais.