Avaliação da atividade antimicrobiana e moduladora do extrato pirolenhoso de Eucalyptus urograndis em bactéria multirresistentes isoladas de otite externa canina
Ana Beatriz Magalhães de Castro
UFERSA
Caio Sérgio Santos
Universidade Federal Rural do Semi-árido
Francisco Marlon Carneiro Feijó
Gustavo Lopes Araújo
Universidade Federal Rural do Semi-árido
Nilza Dutra Alves
Palavras-chave: Vinagre de madeira, Resistência bacteriana, Antibacteriano, Modulador
Resumo
A otite externa canina (OE) é uma inflamação no conduto auditivo na qual a colonização bacteriana apresenta papel importante na instalação e manutenção da doença. O uso inadequado de antimicrobianos no tratamento da OE favorece o surgimento de cepas multirresistentes, resultando em falhas terapêuticas e recorrência de infecções. Esse cenário, demonstra a necessidade por terapias alternativas, como o extrato pirolenhoso de eucalipto (EP), um subproduto obtido da pirólise da madeira. Dessa forma, objetivou-se avaliar a atividade antimicrobiana e moduladora de antibióticos do EP em bactérias multirresistentes isoladas de OE. O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da UFERSA, sob parecer n° 03/2024. Foram coletadas amostras do pavilhão auricular de 30 cães com otite externa, sendo essas encaminhadas para cultura, isolamento e identificação bacteriana no Laboratório de Microbiologia Veterinária da UFERSA. Posteriormente, foi realizado teste de sensibilidade por meio do antibiograma, para classificação das cepas multirresistentes. Em seguida, foram realizados testes de microdiluição para definir a Concentração Inibitória mínima (CIM) do extrato, com concentrações de 50 a 0,195%; da ciprofloxacina (CP), de 1024 µg/ml a 0,25 µg/ml; e para avaliar a modulação do antimicrobiano utilizando o EP (CIM/8). Para a análise da eficácia da modulação foi calculada a Concentração Inibitória Fracionada (CIF) por meio da fórmula: CIM Combinada/CIM isolada, afim de obter um coeficiente que indicasse se a associação produziu efeito sinérgico (CIF ≤ 0,5), indiferente (4 > CIF > 0,5) ou antagonista (CIF > 4). No que se refere aos resultados, foram identificadas 23 cepas bacterianas, das quais 10 foram classificadas como multirresistentes, sendo elas: três Enterobacter spp. (EB1, EB2 e EB3), duas Staphylococcus spp. (SP1 e SP2), Stomatococcus spp. (ST), Acinetobacter spp. (AC), Klebsiella spp. (KB), Pantoea agglomerans (PA) e Citrobacter freundii (CF). O EP demonstrou eficácia contra todas as bactérias testadas, com capacidade de inibição entre 3,125 e 12,5%. Já a ciprofloxacina apresentou a CIM entre 0,125 e 1 µg/ml. Quanto à modulação, os valores de CIF obtidos variaram entre 0,06 µg/ml e 4 µg/ml, sendo classificados como ação sinérgica em 40% das cepas testadas, no qual ST teve a CIM reduzida de 1ug/ml para 0,25 ug/ml (CIF= 0,25), a do AC de 0,5ug/ml para 0,125ug/ml (CIF=0,06), a da KB de 1ug/ml para 0,25ug/ml (CIF=0,25) e a da EB2 de 0,25ug/ml para 0,125ug/ml (CIF=0,5). Em 10% (1/10) das cepas, nota-se aumento da CIM, no qual o SP1 teve a CIM aumentada de 0,125 ug/ml para 1ug/ml (CIF= 8), apresentando efeito antagônico. Nos outros 50% (5/10) das cepas, nota-se efeito indiferente com a associação, no qual a CIM da PA passou de 0,125ug/ml para 0,5ug/ml (CIF=4), a do SP2, passou de 1ug/ml para 2ug/ml (CIF=2) e a da CF e EB3 permaneceu em 0,125ug/ml (CIF=1) e a da EB1 em 1ug/ml (CIF=1). De acordo com os dados apresentados, conclui-se que o EP demonstra efeito antimicrobiano e potencial modulador quando associado à CP, porém essa combinação não é recomendada. Novos estudos com outros antibióticos são necessários para avaliar melhor o seu potencial modulador.