Atividade antimicrobiana de fungos endofíticos isolados de folhas de Jurema-branca (Piptadenia stipulacea Benth.) encontradas na Caatinga

Ana Victória Jucá Santiago

Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Lívio de Carvalho Figueirêdo

Iara Letícia Fernandes de Oliveira

Tamires de Freitas Moura

Ludmilla Fernandes Cavalcante

Palavras-chave: Bioprospecção, Fungos endofíticos, Controle biológico, Diversidade microbiana, Compostos bioativos


Resumo

O Brasil destaca-se mundialmente por sua ampla biodiversidade, abrigando biomas de grande relevância ecológica, entre os quais a Caatinga ocupa posição de destaque por ser o único bioma exclusivamente brasileiro, caracterizado por clima semiárido, baixa pluviosidade e flora adaptada à escassez hídrica. Nesse ecossistema, a Jurema-branca (Piptadenia stipulacea Benth.) destaca-se como uma espécie nativa de relevância ecológica e medicinal, amplamente utilizada pela população local devido às suas propriedades cicatrizantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas. Além de sua importância etnobotânica, essa planta serve de hospedeira a fungos endofíticos que habitam seus tecidos internos sem causar danos aparentes, estabelecendo uma relação simbiótica que pode resultar na produção de metabólitos secundários com aplicações biotecnológicas e farmacológicas. O presente estudo teve como objetivo isolar e avaliar a atividade antimicrobiana de fungos endofíticos associados às folhas de Piptadenia stipulacea Benth., visando identificar microrganismos com potencial biotecnológico. As folhas foram coletadas no Parque Nacional da Furna Feia (5°4′14,88″ S; 37°32′1,51″ O), localizado no estado do Rio Grande do Norte, e processadas no Laboratório de Biotecnologia de Fungos (Labfungi) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). O material vegetal passou por desinfestação superficial, adaptando protocolos descritos na literatura, incluindo imersão sequencial em etanol 70% por 1 minuto, hipoclorito de sódio 2% por 2 minutos, e nova imersão em etanol 70% por 30 segundos, com dois enxágues em água destilada esterilizada. Após a desinfecção, em dez placas de Petri contendo Ágar Sabouraud Dextrose (SDA) suplementado com cloranfenicol (50 mg/L) foram inoculados quatro fragmentos foliares e incubadas a 28 °C por até 28 dias. Foram obtidos nove isolados fúngicos, nomeados de JB1 a JB9, cultivados em SDA sem antibiótico a 28°C por 7 dias em incubadora de Demanda Bioquímica de Oxigênio (BOD). Discos de 0,5 cm com micélio foram retirados e posicionados em meio Mueller-Hinton semeado com 100 µL de suspensão de Bacillus amylolliquefaciens em solução fisiológica, conforme Ichikawa et al. (1971) e Schmourlo et al. (2005). Após 24 horas de incubação a 37 °C, observou-se a formação de halos de inibição ao redor do isolado JB7, com diâmetro médio de 12 mm, indicando ação antimicrobiana. Os demais isolados não apresentaram atividade frente à bactéria testada. Os resultados obtidos sugerem que fungos endofíticos associados à Piptadenia stipulacea Benth. são fontes potenciais de compostos bioativos, reforçando o valor biotecnológico das espécies vegetais da Caatinga.