Uso de plantas medicinais e fitoterápicos no alívio da dor crônica por pacientes atendidos em um ambulatório público especializado
Giovanna Ferreira de Oliveira
UFERSA
Teresinha Silva de Brito
Palavras-chave: Plantas medicinais, Fitoterápicos, Dor crônica
Resumo
Introdução: A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, de caráter pessoal e subjetivo e influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Quando esta persiste por períodos superiores a 3 meses, configura-se como dor crônica, condição complexa que exige tratamento multifatorial e individualizado. Todavia, em meio às limitações do tratamento tradicional, a fitoterapia surge como alternativa promissora. Objetivo: Avaliar o perfil de uso de plantas medicinais e fitoterápicos no tratamento da dor crônica em pacientes atendidos no ambulatório de Reumatologia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Material e métodos: Trata-se de um estudo observacional de caráter descritivo, com corte transversal e abordagem quantitativa e correlacional, que foi realizado mediante aplicação de questionário semiestruturado a 73 pacientes no período de maio a dezembro de 2024. A coleta de dados somente foi iniciada após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (CEP-UERN), com o parecer consubstanciado nº 6.809.018. Resultados: A maioria dos participantes era do sexo feminino (83,2%), com idade entre 40 e 59 anos (53,42%), renda familiar de até 1 salário mínimo (57,53%) e ensino fundamental incompleto (45,2%). O diagnóstico mais referido foi osteoartrite e as articulações representaram a localização mais acometida pela dor. O uso de plantas medicinais e/ou fitoterápicos para o manejo da dor foi observado em 41,09% dos pacientes. Desses, 56,66% afirmaram informar ao médico sobre a prática e a maioria teve esse uso indicado por parentes e/ou amigos. 56,66% dos pacientes afirmaram acreditar que esses compostos não são capazes de oferecer riscos e 83,33% desconheciam possíveis efeitos adversos atrelados ao uso. Nenhum participante alegou ter apresentado qualquer efeito indesejado com o uso de plantas medicinais e/ou fitoterápicos. As plantas medicinais mais citadas foram a hortelã (Mentha spp.), a camomila (Matricaria chamomilla) e a cidreira (Lippia alba/Melissa officinalis). Quanto aos fitoterápicos, Arpadol® (Harpagophytum procumbens) e Seakalm® (Passiflora incarnata) destacaram-se como os mais mencionados. As espécies medicinais mais prevalentes se destacam por suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e calmantes. Não foram encontradas correlações estatísticas entre o perfil sociodemográfico dos participantes e o uso de plantas medicinais e/ou fitoterápicos para o controle da dor, nem entre a orientação sobre a prática de fitoterapia pelos profissionais da saúde e o conhecimento dos pacientes acerca de potenciais riscos e/ou efeitos adversos atrelados a ela (p > 0,05; teste qui-quadrado). Conclusão: Constatou-se que a fitoterapia é uma prática comum entre os participantes, mas ainda carece de adequado acompanhamento e devida orientação por profissionais da saúde, a fim de garantir o uso seguro e evitar efeitos adversos e interações medicamentosas, especialmente nesses indivíduos com múltiplas comorbidades e em uso de variados medicamentos.