Composição corporal de cordeiros alimentados com dietas de alto grão e suplementados com extrato de própolis verde
Raiane Mikaeli Nunes da Costa
Universidade Federal Rural do Semi-árido
Dorgival Morais de Lima Júnior
Natália Ingrid Souto da Silva
Emerson Marcos Nascimento Silva
Maria Mirna Gonçalves Oliveira
Palavras-chave: Aditivos, Confinamento, Composição Tecidual, Ovinos
Resumo
A utilização de aditivos naturais na alimentação de ruminantes tem sido amplamente estudada como alternativa sustentável aos ionóforos convencionais, os quais, embora eficazes, têm sua aplicação restrita em diversos mercados devido à resistência microbiana e à presença de resíduos em produtos de origem animal (Danieli et al., Vet. e Zootec, 27:001-013, 2020). Nesse contexto, o extrato de própolis verde, coletado por abelhas da espécie Apis mellifera a partir da resina da Mimosa tenuiflora, destaca-se por suas propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e antioxidantes (Campos et al., Revista Brasileira de Pesquisa Animal e Ambiental, 4:2991-3002, 2021), configurando-se como uma alternativa promissora aos ionóforos, como a salinomicina. Considerando a escassez de estudos avaliando os efeitos do extrato de própolis verde sobre a composição corporal de cordeiros, objetivou-se avaliar a influência da suplementação com extrato de própolis verde e salinomicina em dietas de alto grão sobre a composição tecidual da paleta de cordeiros confinados. O experimento foi realizado utilizando 21 cordeiros machos, não castrados, da raça Santa Inês, com quatro meses de idade e peso inicial médio de 20 kg. Os animais foram distribuídos aleatoriamente em um delineamento inteiramente casualizado com três tratamentos: dieta controle (sem aditivo), dieta com 24 ml/dia de extrato de própolis e dieta com 24 mg/kg de matéria seca de salinomicina, sendo avaliados por 75 dias após um período de adaptação de 15 dias. Após o confinamento, os animais foram abatidos conforme as normas do Ministério da Agricultura, e as paletas esquerdas foram dissecadas segundo metodologia de (Cezar et al., Agropecuária Tropical, 1:232, 2007) para determinação de teores de composição corporal. Para as análises estatísticas, as médias foram obtidas através da função LSMEANS do SAS. Os efeitos foram considerados significativos quando P<0,05. A composição tecidual da paleta de cordeiros alimentados com dietas de alto concentrado e suplementados com extrato de própolis verde (PRO) ou salinomicina (SAL) não apresentou diferenças significativas (P>0,05) para a maioria dos parâmetros avaliados. O peso da paleta (kg), quantidade de músculo (kg), gordura subcutânea (g), gordura intermuscular (g), ossos (g), porcentagem de músculo (%) e relação músculo:osso não foram influenciados significativamente (P>0,05) pelos diferentes tratamentos. A porcentagem de gordura (%) foi influenciada pelos tratamentos (P=0,0366), sendo maior nos grupos SAL (14,04%) e PRO (13,58%) em comparação ao grupo controle (10,4%). A relação músculo:gordura foi significativamente afetada pelos tratamentos (P=0,0235), sendo maior no grupo controle (6,12), em comparação aos grupos SAL (4,32) e PRO (4,52). Assim, conclui-se que a oferta de 24 ml/dia de extrato de própolis verde em dietas de alto concentrado não afeta significativamente a composição corporal de cordeiros Santa Inês confinados, embora o uso de própolis verde promova discreto aumento no teor de gordura, podendo atuar de forma benéfica na qualidade da carcaça sem comprometer o desempenho dos animais. Portanto, o extrato de própolis verde da Mimosa tenuiflora mostra-se um aditivo natural viável, sustentável e sem restrições comerciais para a ovinocultura.