Pomada antibacteriana a base de Dysphania ambrosioides (L.) utilizada em gatas submetidas a ovário-histerectomia
Vitória Régia Silva dos Santos
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Nilza Dutra Alves
UFERSA
Francisco Marlon Carneiro Feij´ó
Caio Sergio Santos
Palavras-chave: mastruz, antimicrobiano, Resistência
Resumo
A ovariohisterectomia é amplamente empregada na medicina veterinária como método de controle populacional de felinos. No entanto, complicações pós-operatórias, como infecções em sítios cirúrgicos, são recorrentes e frequentemente agravadas pela crescente resistência bacteriana aos antimicrobianos tópicos convencionalmente utilizados. A Dysphania ambrosioides (L.) - mastruz - é uma planta com propriedades medicinais reconhecidas na medicina popular. Suas propriedades estão relacionadas aos compostos bioativos presentes na planta que incluem monoterpenos, sesquiterpenos, aldeídos, ácidos, álcoois e cetonas. Desta forma, novos produtos e formas farmacêuticas que possam reduzir os riscos de infecção e que tenham preços acessíveis trarão uma grande contribuição para os animais durante o pós-cirúrgico. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo a elaboração de uma pomada antimicrobiana à base de Dysphania ambrosioides (L.) para aplicação em gatas submetidas à ovariohisterectomia. Primeiramente foi formulada a pomada a partir do óleo essencial de mastruz, que atuou como princípio ativo, extraído por meio da técnica de hidrodestilação. Esse óleo foi então incorporado ao óleo mineral e à vaselina sólida, utilizados como excipientes da composição. A pasta foi preparada na concentração de 8,3%, com base em experimentos prévios que demonstraram a concentração inibitória mínima nessa proporção. Para avaliação da eficácia tópica, foram estabelecidos dois grupos experimentais, contendo sete gatas cada, tratadas a cada 24 horas durante sete dias: um grupo recebeu a pomada à base de mastruz e o outro foi tratado com clorexidina aquosa a 0,2%, destaca-se que a clorexidina é um antisséptico largamente utilizado. Após cada aplicação, swabs estéreis foram utilizados para coleta de debris celulares diretamente sobre a ferida cirúrgica, visando à análise do desempenho antimicrobiano dos tratamentos. As amostras foram processadas pela técnica de drop plate para quantificação bacteriana. Os swabs foram diluídos em água destilada estéril e submetidos a diluições seriadas até 10³. Alíquotas de 20μL de cada diluição foram inoculadas em placas contendo Plate Count Agar (PCA) e incubadas a 37°C por 24 horas, permitindo a contagem de unidades formadoras de colônia (UFC). Além disso, foi realizado o monitoramento clínico dos sinais inflamatórios locais como hiperemia, edema, secreção e formação de crostas.Os resultados foram analisados por meio de ANOVA fatorial seguida pelo teste de Tukey. Na variável original (UFC), não houve diferença estatisticamente significativa entre os tratamentos. No entanto, após transformação logarítmica, o tratamento com pomada de mastruz apresentou efeito antimicrobiano significativamente superior ao controle (p < 0,0001). Embora a interação entre tratamento e tempo não tenha sido significativa, a análise por dia indicou que, em momentos específicos, o grupo tratado com mastruz apresentou menor crescimento microbiano. Do ponto de vista clínico, o grupo tratado com a pomada de mastruz demonstrou melhor evolução cicatricial, com menor presença de eritema e secreção, além de maior aproximação das bordas incisionais. Conclui-se que a pomada à base de Dysphania ambrosioides (L.) representa uma alternativa promissora no tratamento adjunto de feridas cirúrgicas, reunindo propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e cicatrizantes — especialmente relevante diante da crescente resistência bacteriana aos agentes terapêuticos convencionais.