Efeito do ambiente no controle termorregulatório de abelhas africanizadas Apis mellifera e europeias em região semiárida.
Mateus Rodrigues Oliveira
UFERSA
Leandro Alves da Silva
Tasyely Daylhany Freire de Lima
Tamiles Araujo Lima
Kátia Peres Gramacho
Palavras-chave: Apis mellifera, Semiárido, Termorregulação, Buckfast, Africanizada
Resumo
O processo de africanização de Apis mellifera, que resultou em abelhas com cerca de 85% do genoma de A. m. scutellata, representa um caso de sucesso adaptativo em ambientes tropicais, contrastando com o desempenho limitado de linhagens europeias sob condições semiáridas. Considerando a introdução recente de colônias F1 Buckfast no Nordeste sem ampla avaliação de desempenho, este estudo teve como objetivo analisar o efeito do clima semiárido sobre o controle termorregulatório de abelhas africanizadas e F1 Buckfast. O experimento foi conduzido entre março e agosto de 2025 na Fazenda Experimental Rafael Fernandes, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em Mossoró/RN. Foram utilizadas 18 colônias, sendo 10 africanizadas e 8 F1 Buckfast, monitoradas com dataloggers RC-4HC (Elitech-Brasil) instalados no centro das colmeias para registrar temperatura (°C) e umidade (%) internas a cada hora, entre 00h00 e 11h00. Os dados foram submetidos à ANOVA e ao teste t de Student (p < 0,05) para comparação entre linhagens. As abelhas africanizadas mantiveram temperaturas internas mais elevadas e estáveis, próximas da faixa ideal de homeostase (33 – 36 °C), com médias entre 31,9 °C e 33,7 °C, apresentando diferença significativa no intervalo das 05h00 às 07h00. As colônias F1 Buckfast exibiram umidade interna superior, variando de 72% a 75%, enquanto as africanizadas mantiveram médias de 68% a 70%, sugerindo maior eficiência na regulação da umidade. Os resultados indicam que cada linhagem expressa estratégias fisiológicas distintas: as africanizadas mostraram maior capacidade de termorregulação e resistência ao calor, enquanto as F1 Buckfast apresentaram vantagem relativa na manutenção do microclima úmido, favorecendo o desenvolvimento da cria. A superioridade das africanizadas na estabilidade térmica reflete sua plasticidade comportamental e adaptabilidade a ambientes de alta radiação e baixa disponibilidade hídrica. Conclui-se que as abelhas africanizadas demonstram maior adequação às condições extremas do semiárido, enquanto a introdução de F1 Buckfast requer manejo específico, incluindo práticas de sombreamento, ventilação e fornecimento de água. Os resultados reforçam a importância de estratégias de manejo apícola adaptadas ao ambiente regional e sugerem cautela na expansão de linhagens europeias em climas tropicais, além da necessidade de estudos futuros sobre respostas anatômicas, fisiológicas e imunológicas comparativas entre genótipos.