Atividade antimicrobiana de fungos endofíticos isolados de folhas de Jurema-preta (Mimosa tenuiflora Willd.) encontradas na Caatinga
Iara Letícia Fernandes de Oliveira
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Livio Carvalho de Figueiredo
ANA VICTORIA JUCA SANTIAGO
LUDMILLA FERNANDES CAVALCANTE
Tamires de Freitas Moura
Palavras-chave: Bioprospecção, Controle Biológico., Metabólitos, Diversidade microbiana
Resumo
Introdução: O Brasil destaca-se no cenário global como uma das maiores potências em biodiversidade. Seu extenso território abriga uma ampla variedade de biomas, caracterizados por notável diversidade na fauna e flora. A Caatinga ocupa posição de destaque, abrangendo, conforme dados do IBGE 2024, aproximadamente 862.652 km², o equivalente a cerca de 10,1% da área nacional e apresenta vegetação adaptada ao clima semiárido, composta majoritariamente por espécies forrageiras com espinhos que perdem folhas na estação seca. Nesse bioma, a Jurema Preta (Mimosa tenuiflora Willd.) é relevante ecológica e economicamente, sendo utilizada como fonte de lenha industrial. Os fungos endofíticos colonizam tecidos vegetais internos sem causar danos, estabelecendo mutualismo que promove crescimento vegetal, fortalece raízes, aumenta resistência a estresses e protege contra pragas e patógenos. Esses fungos produzem metabólitos secundários com elevado potencial biotecnológico, como enzimas, compostos antitumorais e agentes antimicrobianos. Impulsionando aplicações em agricultura, medicina e indústria, além de ampliar o conhecimento sobre diversidade fúngica. Considerando a importância da Jurema Preta na Caatinga e a necessidade de novas fontes bioativas, este estudo objetivou avaliar o potencial antimicrobiano de fungos endofíticos isolados de suas folhas, investigando a produção de compostos antibacterianos para aplicações biotecnológicas. Metodologia: A coleta de folhas de Jurema Preta (Mimosa tenuiflora Willd.) foi realizada no Parque Nacional da Furna Feia, localizado nas coordenadas 5° 4′ 14,88′′ S e 37° 32′ 1,51′′ O, no Estado do Rio Grande do Norte. As folhas coletadas foram transportadas para o Laboratório de Biotecnologia de Fungos (Labfungi) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), onde foram submetidas a processos de desinfestação superficial, conforme metodologia descrita por Araújo (2002): imersão em etanol 70% por 1 min, hipoclorito de sódio 2–2,5% por 2 min, etanol 70% por 1 min e duas lavagens com água destilada esterilizada, seguidas de secagem em papel filtro. Após a desinfestação, quatro fragmentos de cada folha foram posicionados em cada uma das 10 placas de Petri contendo meio Ágar Sabouraud Dextrose (SDA) suplementado com cloranfenicol (50mg/L) para suprimir o crescimento bacteriano e incubadas a 28°C por 7 a 28 dias. Foram isolados cerca de 10 fungos (JP1 a JP10) com características macromorfológicas distintas, cultivados em SDA sem antibiótico a 28°C por 7 dias em incubadora BOD. Discos de 0,5 cm com micélio foram retirados e posicionados (3 por placa) em meio Mueller-Hinton semeado com 100 µL de suspensão de Bacillus amylolliquefaciens em solução fisiológica, conforme Ichikawa et al. (1971) e Schmourlo et al. (2005). As placas foram incubadas a 37°C por 24h, e halos translúcidos ao redor dos discos foram medidos com paquímetro para quantificar inibição. Resultados: Dos 10 fungos endofíticos isolados de folhas de Mimosa tenuiflora Willd nenhum apresentou halo translúcido ao redor do micélio, indicando ausência de atividade inibitória contra Bacillus amylolliquefaciens. Conclusão: Os 10 isolados endofíticos de Mimosa tenuiflora Willd. não demonstraram atividade antimicrobiana contra a bactéria Bacillus amylolliquefaciens testada. Recomendam-se ensaios com outros microrganismos e identificação taxonômica dos isolados para explorar seu potencial biotecnológico.