Perfil de pacientes que procuram tratamento de infertilidade em Mossoró - RN

Rebeca Paulina Duarte Queiroz

UFERSA

Gerlane Modesto da Silva Balzani

Natália Fernandes Magalhães

Universidade Federal Rural do Semiárido - UFERSA

Raissa Carolina Dantas Mesquita de Medeiros

Fabrícia Barroso Rodrigues

Palavras-chave: infertilidade, Direitos sexuais e reprodutivos, saúde da mulher, SUS


Resumo

A infertilidade é um problema de saúde pública que afeta milhões de casais, trazendo impactos físicos, emocionais e sociais. Contudo, os efeitos emocionais dessa condição são mais pronunciados entre as mulheres. A análise do perfil das mulheres inférteis de uma determinada região pode permitir uma melhor compreensão dos fatores associados à infertilidade, além de fornecer subsídios para o aprimoramento do atendimento oferecido nos serviços de saúde. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil clínico e sociodemográfico de mulheres atendidas em um ambulatório de Infertilidade e Reprodução Humana em Mossoró, Rio Grande do Norte. Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo, com análise retrospectiva de 94 prontuários médicos de pacientes atendidas entre 2023 e 2024. O presente trabalho foi submetido ao Comitê de Ética, responsável nº 5294, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), CAAE: 77290323.0.0000.5294, número do Parecer: 6.814.556. Foram incluídos prontuários de mulheres que compareceram a pelo menos uma consulta e tinham ao menos 50% das informações registradas. Os resultados demonstram que a maioria tinha entre 31 e 40 anos (62,7%) e era usuária exclusiva do SUS (90,4%). Quanto à escolaridade, 76% das participantes concluíram no mínimo o ensino médio, indicando nível educacional intermediário a alto, acima da média nacional. No geral, os achados apontam para a enorme complexidade do manejo da infertilidade e a variedade de fatores envolvidos - desde questões clínicas até determinantes sociais - reforçando a importância das abordagens integradas que aliem diferentes níveis de atenção e considerem a diversidade de perfis reprodutivos. Os resultados evidenciaram principalmente um perfil local vulnerável, com barreiras de acesso e alta prevalência de condições comprovadamente associadas à infertilidade. A alta escolaridade pode não se refletir em letramento em saúde, pois menos da metade (42,6%) tinha exame preventivo atualizado. A caracterização detalhada dessa população é indispensável, pois conhecer demandas específicas, além de subsidiar estratégias para a qualificação dos serviços, o planejamento e o direcionamento adequado de recursos na atenção à infertilidade, contribui para a redução das desigualdades no acesso ao cuidado médico reprodutivo, que ainda é negligenciado no contexto de saúde do Nordeste brasileiro.