Relação entre saúde mental e o convívio com animais de estimação entre estudantes de medicina em uma Universidade do Semiárido Brasileiro
Emanuela Maria Aguiar Azevedo
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
Teresinha Silva de Brito
UFERSA
https://orcid.org/0000-0003-1713-9415
Palavras-chave: Saúde mental, Animais de estimação, Estudantes de medicina.
Resumo
A saúde mental resulta de uma rede complexa de fatores internos e externos que influenciam
o bem-estar e o desempenho acadêmico. Estudantes universitários, especialmente os de
medicina, estão entre os grupos mais vulneráveis a transtornos mentais devido à sobrecarga
acadêmica, contato precoce com sofrimento humano e à cultura de perfeição presente na
formação médica. Esse cenário favorece quadros de ansiedade, depressão e esgotamento
emocional, com impactos na qualidade de vida e no desempenho profissional. Diante disso,
torna-se necessário investigar estratégias que promovam o equilíbrio emocional nessa
população. O convívio com animais de estimação tem sido associado à redução do estresse e
ao fortalecimento do suporte afetivo, embora seus efeitos ainda sejam pouco explorados entre
estudantes de medicina. Assim, objetivou-se avaliar o impacto da convivência com animais de
estimação e fatores relacionados à saúde mental de estudantes de medicina da Universidade
Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Trata-se de um estudo observacional de caráter
descritivo, com corte transversal e abordagem quantitativa e correlacional. Utilizou-se
questionário online, contendo aspectos sociodemográficos e os instrumentos Escala de
Estresse, Ansiedade e Depressão (EADS-21) e Escala de Afetos Positivos e Afetos Negativos
(PANAS). A coleta dos dados ocorreu no período de maio a novembro de 2024 via Google
Forms, após aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (CEP-UERN), com o parecer Consubstanciado
nº 6.819.732. Participaram do estudo 144 discentes de medicina. A amostra foi composta
majoritariamente por estudantes do sexo masculino (54,8%), com idade média de 24,5 ± 5,9
anos. Observou-se alta prevalência de sintomas de ansiedade, estresse e depressão (65,3%)
entre os participantes, sendo 43,75% de sintomas ansiosos, 43,05% de sintomas de estresse,
47,22% de sintomas de depressão e 28,47% dos participantes apresentaram sintomas dos 3
transtornos mentais avaliados. A posse de animais de estimação ocorreu em 42,3% dos
discentes e foi majoritariamente considerada gratificante, não havendo associação significativa
entre a convivência com animais e a melhora dos indicadores de saúde mental (p > 0,05; teste
qui-quadrado). Entretanto, estudantes que possuíam animais fora da cidade apresentaram
maior afeto negativo (p<0,05; teste qui-quadrado) e a preocupação com a perda do animal se
associou a maiores escores de ansiedade e afeto negativo (p<0,05; teste qui-quadrado). Esse
estudo confirmou uma maior vulnerabilidade dos estudantes de medicina, com destaque para
a elevada taxa de sintomas depressivos entre os participantes. Na amostra investigada, a convivência com animais de estimação não está associada a melhores indicadores de saúde
mental. Ressalta-se, portanto, que a relação entre animais de estimação e a saúde mental é
complexa e possivelmente não pode ser explicada apenas pela convivência, mas sim pela
qualidade da interação e características individuais, sendo necessários estudos longitudinais
para aprofundar a compreensão dessa relação.