Qualidade do coentro sob adubação orgânica em ambiente semiárido

Glenda Ferreira Justino

UFERSA

Elizangela Cabral dos Santos

UFERSA

https://orcid.org/0000-0002-7074-3147

Francisco Bezerra Neto

UFERSA

https://orcid.org/0000-0001-9622-206X

Larissa Nicácio Pessoa

Daniel da Silva Dantas

UFERSA

Palavras-chave: Coriamdrum sativum, Merremia aegyptia, Calotropis procera, Esterco


Resumo

O coentro (Coriandrum sativum L.) é uma olerícola de grande relevância nutricional, econômica e social, sendo uma das hortaliças mais cultivadas e consumidas no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde é produzido, em sua maioria, por meio da agricultura convencional com uso de fertilizantes químicos. No entanto, a aplicação contínua desses insumos pode causar impactos ambientais e riscos à saúde humana. Com o aumento da demanda por alimentos sem químicos, têm-se buscado alternativas, como os fertilizantes orgânicos, visando reduzir ou substituir o uso de fertilizantes sintéticos. Entre os fertilizantes orgânicos utilizados no cultivo de hortaliças, destacam-se os de origem vegetal, como flor-de-seda (Calotropis procera (Ait.) R.Br.) e jitirana (Merremia aegyptia L. Urban), espécies espontâneas da caatinga, além dos de origem animal, como o esterco, que têm mostrado resultados favoráveis à viabilidade da produção orgânica no Semiárido. Este trabalho teve como objetivo avaliar características pós-colheita do coentro produzido com misturas equitativas de biomassa de jitirana, flor-de-seda e esterco ovino, em ambiente semiárido. O experimento foi conduzido em blocos casualizados com cinco repetições, utilizando quantidades equitativas de biomassa de jitirana, flor-de-seda e esterco ovino: 15, 30, 45, 60 e 75 t ha-1 (base seca), além de uma testemunha sem adubação. Foram avaliadas as variáveis pH, sólidos solúveis (SS), acidez titulável (AT), açúcares solúveis totais (AST), vitamina C, clorofilas ‘a’, ‘b’ e total, além de parâmetros de cor (L*, a* e b*). Os dados foram submetidos à análise de variância pelo software SAS, utilizando o teste F ao nível de 5% de probabilidade, para comparar os valores médios dos tratamentos com fertilizantes mistos, a máxima eficiência e o valor médio da testemunha absoluta. Posteriormente, um procedimento de ajustamento de curva de regressão foi realizado utilizando o software Table Curve 2D, para estimar o comportamento de cada característica em função das quantidades dos fertilizantes utilizados.Os valores máximos obtidos foram de 6,48 para o pH; 4,35 ºBrix para o SS; 0,27% de ácido málico para o AT; 3,31% para o AST e 52,10 mg 100g-1 para a vitamina C, quando incorporado as quantidades de 15,00; 66,00; 60,99; 58,96 e 37,52 t ha-1 dos fertilizantes orgânicos, respectivamente. Para os pigmentos fotossintéticos, os maiores valores foram de 27,32; 9,10 e 36,33 IFC para clorofila ‘a’, ‘b’ e total, respectivamente, obtidas nas quantidades entre 55,00 e 59,00 t ha-1 do fertilizante orgânico. Para os parâmetros de cor, as quantidades entre 36,00 e 64 t ha-1 dos fertilizantes orgânicos, resultou em valores máximos de 43,10 (L*), 25,64 (C*) e 125,74° (h°). Conclui-se que o uso da mistura equitativa dos fertilizantes orgânicos, promoveu melhorias significativas na qualidade pós-colheita do coentro, além disso, observou-se nas folhas maior intensidade e tonalidade de verde, refletindo atributos visuais superiores. Esses resultados indicam que os fertilizantes orgânicos mistos favorecem o desenvolvimento fisiológico da cultura, o acúmulo de compostos nutricionais e bioquímicos, e aprimoram os atributos visuais e comerciais do coentro, evidenciando a importância de doses adequadas para maximizar produtividade e qualidade.